A TERCEIRA MARGEM DO RIO




Autor: João Guimarães Rosa
Título: A TERCEIRA MARGEM DO RIO
Idiomas: port
Tradutor:
Data: 16/03/2005

A TERCEIRA MARGEM DO RIO

 

Primeiras estórias

 

Guimarães Rosa

Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia, e que ralhava no diário com a gente – minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa.
Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a idéia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo, de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso, do dia em que a canoa ficou pronta.
Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: – “Cê vai, ocê fique, você nunca volte!” Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: – “Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?” Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo – a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.
Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para. estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos, se reuniram, tomaram juntamente conselho.
Nossa mãe, vergonhosa, se portou com muita cordura; por isso, todos pensaram de nosso pai a razão em que não queriam falar: doideira. Só uns achavam o entanto de poder também ser pagamento de promessa; ou que, nosso pai, quem sabe, por escrúpulo de estar com alguma feia doença, que seja, a lepra, se desertava para outra sina de existir, perto e longe de sua família dele. As vozes das notícias se dando pelas certas pessoas – passadores, moradores das beiras, até do afastado da outra banda – descrevendo que nosso pai nunca se surgia a tomar terra, em ponto nem canto, de dia nem de noite, da forma como cursava no rio, solto solitariamente. Então, pois, nossa mãe e os aparentados nossos, assentaram: que o mantimento que tivesse, ocultado na canoa, se gastava; e, ele, ou desembarcava e viajava s’embora, para jamais, o que ao menos se condizia mais correto, ou se arrependia, por uma vez, para casa.
No que num engano. Eu mesmo cumpria de trazer para ele, cada dia, um tanto de comida furtada: a idéia que senti, logo na primeira noite, quando o pessoal nosso experimentou de acender fogueiras em beirada do rio, enquanto que, no alumiado delas, se rezava e se chamava. Depois, no seguinte, apareci, com rapadura, broa de pão, cacho de bananas. Enxerguei nosso pai, no enfim de uma hora, tão custosa para sobrevir: só assim, ele no ao-longe, sentado no fundo da canoa, suspendida no liso do rio. Me viu, não remou para cá, não fez sinal. Mostrei o de comer, depositei num oco de pedra do barranco, a salvo de bicho mexer e a seco de chuva e orvalho. Isso, que fiz, e refiz, sempre, tempos a fora. Surpresa que mais tarde tive: que nossa mãe sabia desse meu encargo, só se encobrindo de não saber; ela mesma deixava, facilitado, sobra de coisas, para o meu conseguir. Nossa mãe muito não se demonstrava.
(…)
Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio – pondo perpétuo. Eu sofria já o começo de velhice – esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ansias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar do vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse – se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.
Sem fazer véspera. Sou doido? Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos. Só fiz, que fui lá. Com um lenço, para o aceno ser mais. Eu estava muito no meu sentido. Esperei. Ao por fim, ele apareceu, aí e lá, o vulto. Estava ali, sentado à popa. Estava ali, de grito. Chamei, umas quantas vezes. E falei, o que me urgia, jurado e declarado, tive que reforçar a voz: – “Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto… Agora, o senhor vem, não carece mais… O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!…” E, assim dizendo, meu coração bateu no compasso do mais certo.
Ele me escutou. Ficou em pé. Manejou remo n’água, proava para cá, concordado. E eu tremi, profundo, de repente: porque, antes, ele tinha levantado o braço e feito um saudar de gesto – o primeiro, depois de tamanhos anos decorridos! E eu não podia… Por pavor, arrepiados os cabelos, corri, fugi, me tirei de lá, num procedimento desatinado. Porquanto que ele me pareceu vir: da parte de além. E estou pedindo, pedindo, pedindo um perdão.
Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro – o rio.
 





Bio fornecida pelo palestrante.

MIGUILIM




Autor: João Guimarães Rosa
Título: Corpo de Baile, Corps de Ballet
Idiomas: port, deu
Tradutor: Curt Meyer-Clason(deu)
Data: 28/12/2004

MIGUILIM

CORPO DE BAILE

João Guimarães Rosa

Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-do-Frango-d’Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em ponto remoto, no Mutúm. No meio dos campos gerais, mas num covoão em trecho de matas, terra preta, pé de serra. Miguilim tinha oito anos. Quando completara sete, havia saído dali, pela primeira vez: o tio Têrez levou-o a cavalo, à frente da sela, para ser crismado no Sucurijú, por onde o bispo passava. Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha. De uma, nunca pôde se esquecer: alguém, que já estivera no Mutúm, tinha dito: – “É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre…”

Mas sua mãe, que era linda e com os cabelos pretos e compridos, se doía de tristeza de ter de viver ali. Queixava-se, principalmente nos demorados meses chuvosos, quando carregava o tempo, tudo tão sozinho, tão escuro, o ar ali era mais escuro; ou, mesmo na estiagem, qualquer dia, de tardinha, na hora do sol entrar. – “Oê, ah, o triste recanto…” – ela exclamava. Mesmo assim, enquanto esteve fora, só com o tio Terêz, Miguilim padeceu tanta saudade, de todos e de tudo, que às vezes nem conseguia chorar, e ficava sufocado. E foi descobriu, por si, que, umedecendo as ventas com um tico de cuspe, aquela aflição um pouco aliviava. Daí, pedia ao tio Terêz que molhasse para ele o lenço; e tio Terêz, quando davam com um riacho, um minadouro ou um poço de grota, sem se apear do cavalo abaixava o copo de chifre, na ponta de uma correntinha, e subia um punhado d’água. Mas quase sempre eram secos os caminhos, nas chapadas, então tio Terêz tinha uma cabacinha que vinha cheia, essa dava para quatro sedes; uma cabacinha entrelaçada com cipós, que era tão formosa. – “É para beber, Miguilim…” – tio Terêz dizia, caçoando. Mas Miguilim ria também e preferia não beber a sua parte, deixava-a para empapar o lenço e refrescar o nariz, na hora do arrocho. Gostava do tio Terêz, irmão de seu pai.

Quando voltou para casa, seu maior pensamento era que tinha a boa notícia para dar à mãe: o que o homem tinha falado – que o Mutúm era lugar bonito… A mãe, quando ouvisse essa certeza, havia de se alegrar, ficava consolada. Era um presente; e a idéia de poder trazê-lo desse jeito de cór, como uma salvação, deixava-o febril até nas pernas . Tão grave, grande, que nem o quis dizer à mãe na presença dos outros, mas insofria por ter de esperar; e, assim que pôde estar com ela só, abraçou-se a seu pescoço e contou-lhe, estremecido, aquela revelação. A mãe não lhe deu valor nenhum, mas mirou triste e apontou o morro; dizia: -“Estou sempre pensando que lá por detrás dele acontecem outras coisas, que o morro está tapando de mim, e que eu nunca hei de poder ver…” Era a primeira vez que a mãe falava com ele um assunto tão sério. No fundo de seu coração, ele não podia, porém, concordar, por mais que gostasse dela: e achava que o moço que tinha falado aquilo era que estava com a razão. Não porque ele mesmo Miguilim visse beleza no Mutúm – nem ele sabia distinguir o que era um lugar bonito de um lugar feio. Mas só pela maneira como o moço tinha falado: de longe, de leve, sem interesse nenhum; e pelo modo contrário de sua mãe – agravada de calundú e espalhando suspiros, lastimosa. No começo de tudo, tinha um erro – Miguilim conhecia, pouco entendendo. Entretanto, a mata, ali perto, quase preta, verde-escura, punha-lhe medo.

Com a aflição em que estivera, de poder depressa ficar só com a mãe, para lhe dar a notícia, Miguilim devia de ter procedido mal e desgostado o pai, coisa que não queria, de forma nenhuma, e que mesmo agora largava-o num atordoado arrependimento de perdão. De nada, que o pai se crescia, raivava: – ” Este menino é um mal-agradecido. Passeou, passeou, todos os dias esteve fora de cá, foi no Sucurijú, e, quando retorna, parece que nem tem estima por mim, não quer saber da gente…” A mãe puniu por ele: – “Deixa de cisma, Béro. O menino está nervoso…” Mas o pai ainda ralhou mais, e, como no outro dia era de domingo, levou o bando dos irmãozinhos para pescaria no córrego; e Miguilim teve de ficar em casa, de castigo. Mas tio Terêz, de bom coração, ensinou-o a armar urupuca pra pegar passarinhos. Pegavam muitos sanhaços, aqueles pássaros macios, azulados, que depois soltavam outra vez, porque sanhaço não é pássaro de gaiola. -“Que é que você está pensando, Miguilim?” – tio Terêz perguntava. -“Pensando em pai…” – respondeu. Tio Terêz não perguntou mais, e Miguilim se entristeceu, porque tinha mentido: ele não estava pensando em nada, estava pensando só no que deviam de sentir os sanhaços, quando viam que já estavam presos, separados dos companheiros, tinha dó deles; e só no instante em que tio Terêz perguntou foi que aquela resposta lhe saiu da boca. Mas os sanhaços prosseguiam de cantar, voavam e pousavam no mamoeiro, sempre caíam presos na urupuca e tornavam a ser soltos, tudo continuava. Relembrável era o Bispo – rei para ser bom, tão rico nas cores daqueles trajes, até as meias dele eram vermelhas, com fivelas nos sapatos, e o anel, milagroso, que a gente não tinha tempo de ver, mas que de joelhos se beijava.

– Tio Terêz, o senhor acha que o Mutúm é lugar bonito ou feioso?

– Muito bonito, Miguilim; uai. Eu gosto de morar aqui…

Entretanto, Miguilim não era do Mutúm. Tinha nascido ainda mais longe, também em buraco de mato, lugar chamado Pau-Roxo, na beira do Saririnhém. De lá, separadamente, se recordava de sumidas coisas, lembranças que ainda hoje o assustavam. Estava numa beira de cerca, dum quintal, de onde um menino-grande lhe fazia caretas. Naquele quintal estava um peru, que gruziava brabo e abria a roda, se passeando, pufo-pufo – o peru era a coisa mais vistosa do mundo, importante de repente, como uma estória – e o meninão grande dizia: – “É meu !…” E : – “É meu…” – Miguilim repetia, só para agradar ao menino-grande. E aí o Menino Grande levantava com as duas mãos uma pedra, fazia uma careta pior: – “Aãã!…” Depois, era só uma confusão, ele carregado, a mãe chorando: – “Acabaram com o meu filho!…” – e Miguilim não podia enxergar, uma coisa quente e peguenta escorria-lhe da testa, tapando-lhe os olhos. Mas a lembrança se misturava com outra, de uma vez em que ele estava nu, dentro da bacia, e seu pai, sua mãe, Vovó Izidra e Vó Benvinda em volta; o pai mandava: – “Traz o trem…” traziam o tatu, que guinchava , e com a faca matavam o tatu, para o sangue escorrer por cima do corpo dele para dentro da bacia. – “Foi de verdade, Mamãe?” – ele indagara, muito tempo depois; e a mãe confirmava: dizia que êle tinha estado muito fraco, saído de doença, e que o banho no sangue vivo do tatu fora para ele poder vingar. Do Pau-Roxo conservava outras recordações, tão fugidas, tão afastadas, que até formavam sonho. Umas moças, cheirosas, limpas, os claros risos bonitos, pegavam nele, o levavam para a beira duma mesa, ajudavam-no a provar, de uma xícara grande, goles de um de-beber quente, que cheirava à claridade. Depois, na alegria num jardim, deixavam-no engatinhar no chão, meio àquele fresco das folhas, ele apreciava o cheiro da terra, das folhas, mas o mais lindo era o das frutinhas vermelhas escondidas por entre as folhas – cheiro pingado, respingado, risonho, cheiro de alegriazinha. As frutas que a gente comia. Mas a mãe explicava que aquilo não havia sido no Pau-Roxo, e bem nas Pindaíbas-de-Baixo-e-de-Cima, a fazenda grande do Barbóz, aonde tinham ido de passeio.

Da viagem, em que vieram para o Mutúm, muitos quadros cabiam certos na memória. A mãe, ele e os irmãozinhos, num carro-de-bois com toldo de couro e esteira de buriti, cheio de trouxas, sacos, tanta coisa – ali a gente brincava de esconder. Vez em quando, comiam, de sal, ou cocadas de buriti, doce de leite, queijo descascado. Um dos irmãos, mal lembrava qual, tomava leite de cabra, por isso a cabrita branca vinha, caminhando, presa mãe deles, toda a vida. A coitada da cabrita – então ela por fim não ficava cansada? – “A bem, está com os peitos cheios, de derramar…” – alguém falava. Mas, então, pobrezinhos de todos, queriam deixar o leite dela ir judiado derramando no caminho, nas pedras, nas poeiras? O pai estava a cavalo, ladeante. Tio Terêz devia de ter vindo também, mas disso Miguilim não se lembrava. Cruzaram com um rôr de bois, embrabecidos: a boiada! E passaram por muitos lugares.

– Que é que você trouxe para mim, do S’rucuiú? – a Chica perguntou.

– Trouxe este santinho…

Era uma figura de moça, recortada de um jornal.

– É bonito. Foi o Bispo que deu?

– Foi.

– E p’ra mim? E p’ra mim?! – reclamavam o Dito e Tomèzinho.

Mas Miguilim não tinha mais nada. Punha a mãozinha na algibeira: só encontrava um
Pedaço de barbante e as bolinhas de resina de almêcega, que unhara da casca da árvore, beira de um ribeirão.

– Estava tudo num embrulho, muitas coisas… Caiu dentro do corgo, a água afundou… Dentro do corgo tinha um jacaré, grande…

– Mentira. Você mente, você vai para o inferno! – dizia Drelina, a mais velha, que nada pedira e tinha ficado de parte.

– Não vou, eu já fui crismado. Vocês não estão crismados!

– Você foi crismado, então como é que você chama?

– Miguilim.

– Bobo! Eu chamo Maria Andrelina Cessim Caz. Papai é Nhô Bernardo Caz! Maria Francisca Cessim Caz, Expedito José Cessim Caz, Tomé de Jesus Cessim Caz… Você é Miguilim Bobo…
(…).

____

Fonte: Rosa, José Guimarães. “Miguilim”. In:—, Campo geralCorpo de baile. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956. p. 15-20.

MIGUILIM

CORPS DE BALLET

João Guimarães Rosa

Ein gewisser Miguilim wohnte mit seiner Mutter, seinem Vater und seinen Geschwistern weit, weit von hier, eine gute Strecke hinter der Niederung-des-Wasserhuhns und anderen Flussläufen, die keinen Namen haben oder wenig bekannt sind, na einem entlegenen Ort, Mutúm. Mitten auf den Campos Gerais, aber in einer schmalen, schwarzerdigen Waldsenke am Fuss der Serra. Miguilim war acht Jahre alt. Mit dem vollendeten siebten Lebensjahr verliess er seinen Heimatort zum ersten Mal: Onkel Terês setzte ihn vor sich aufs Pferd und nahm ihn mit zur Firmung nach Sucurijú, wo der Bischof auf der Durchreise erwartet wurde. Von der Reise, die Tage dauerte, hatte er einen ganzen Knäuel von Erinnerungen aufbewahrt, die seinen Kopf verwirrten. Eine davon konnte er nie vergessen: Jemand, der in Mutúm gewesen war, hatte gesagt: ” Ein hübsches Fleckchen, zwischen Berg und Berg, mit viel Gestein und Wald, weitab von überall, und es regnet dort immer…”

Seine Mutter indessen, die schön war und lange shwarze Haare hatte, verzehrte sich in Traurigkeit, dort wohnen zu müssen. Vor allem klagte sie über die langweiligen Regenmonate, wenn der Himmel sich verdüsterte und alles so einsam, so dunkel; die Luft war dort dunkler, auch in der Zeit der Dürre, na jedem beliebigen Tag, gegen Abend, wenn die Sonne unterging. ” O je, o je, was für ein trauriger Winkel “, stöhnte sie. Aber selbst wenn er nur mit Onkel Terêz allein unterwegs war, hatte er so viel Heimweh, nach allen und allem, dass er mitunter nicht einmal weinen konnte und fast erstickte. So entdeckte er ganz von selber, dass er duch Bestreichen seiner Nasenlöcher mit Speichel seine Atemnot lindern konnte. Daher bat er den Onkel Terêz, er möge ihm doch sein Taschentuch befeuchten; und sobald sie na einen kleinen Bach, na einen Giessbach oder ein Felsenbecken kamen, liess Onkel Terêz, ohne abzusitzen, seinen Hornbecher na seiner Schnur hinunter und holte ihn gefüllt wie der herauf. Da sie aber meistens durch unwirtliches Gelände ritten, führte Onkel Terêz eine kleine, bis na den Rand gefüllte Kalebasse mit, die für viermaliges Durstlöschen ausreichte; eine Kürbisflasche, mit Weidengeflecht überzogen und ein hübsches Stück obendrein. ” Es ist zum Trinken, Miguilim “, sagte Onkel Terêz scherzend. Miguilim lachte gleichfalls, zog’s aber vor, seinen Anteil nicht zu trinken, sondern sparte sich ihn auf, um sein Taschentuch benetzen und die Nase befuchten zu können, sobald das Heimweh na ihm nagte. Er hatte den Onkel Terêz, den Bruder seines Vaters, sehr gern.

Als er nach Hause kam, war sein wichtigster Gedanke, der Mutter die gute Nachricht zu überbringen, nämlich dass der Mann gesagt hatte: Mutúm ist ein hübsches Fleckchen… Wenn die Mutter das hören würde, diese Zusicherung, müsste sie froh werden und getröstet. Es war ein Geschenk, und der Gedanke, es ihr so, aus dem Kopf, wie eine Rettung aus der Not, zu überreichen, machte ihn fiebrig, bis in die Beine hinein. Es war ein so wichtiges, grosses Geschenk, dass er es der Mutter nicht in Gegenwart der anderen sagen wollte, aber Qualen litt, warten zu müssen; und sobald er allein mit ihr war, hing er sich an ihren Hals und erzählte ihr zitternd die grosse Offenbarung. Die Mutter achtete jedoch nicht darauf, blickte nur wehmütig drein und deutete auf den Berg; sie sagte: ” Ich denke immer, dass dort, hinter ihm, Dinge geschehen, die der Berg mir verbirgt, und dass ich sie nie im Leben sehn werde… ” Es war das erstemal, dass die Mutter mit ihm über eine so schwerwiegende Sache sprach. Im Grunde seines Herzens stimmte er jedoch nicht mit ihr überein, mochte er sie noch so innig lieben; denn er fand, dass der junge Mann, der das zu ihm gesagt hatte, im Recht war. Nicht etwa weil er, Miguilim, etwas Schönes an Mutúm gefunden hätte, denn er wusste nicht einmal einen hübschen Ort von einem hässlichen zu unterscheiden. Sondern nur durch die Art, wie der Mann gesprochen hatte, so von weit her, so obenhin, ohne jede Berechnung, und ausserdem ganz anders, als seine Mutter es tat, niedergedrückt von Missmut, unter Seufzern und voller Beschwerde. In der Wurzel von allem steckte ein Irrtum – das wusste Miguilim, ohne dass er es richtig begriff. Und doch war der Urwald ganz in der Nähe, dunkelgrün, fast schwarz und flösste ihm Angst ein.

In seiner Aufregung, so rasch wie möglich allein bei der Mutter zu sein und ihr seine Botschaft überbringen zu können, musster er sich jedoch falsch benommen und den Vater verstimmt haben, was er freilich ums Leben gern vermieden hätte und was ihn jetzt in einen Wirbel von Gewissensbissen und Reue stiess. Denn es bedurfte nur einer Lappalie, dass der Vater aus dem Häuschen geriet und wetterte: ” Dieser Junge ist eine Ausgeburt des Undanks! Er hat’s gut gehabt, ist spazieren gewesen, war tagelang unterwegs, durfte nach Sucurijú reiten, und kaum ist er zurück, will er anscheinend nichts mehr von seinem Vater wissen und hat kein Auge für ihn. ” Die Mutter sprang für ihn ein: ” Keine Rede, Béro. Der Junge ist eben bisschen nervös.” Aber der Vater zeterte nur noch lauter, und da der nächste Tag ein Sonntag war, nahm er die Schar von Miguilim kleineren Brüdern zum Fischen an den Bach mit, während er selber zur Strafe zu Hause bleiben musste. Onkel Terêz jedoch, der ein gutes Herz hatte, lehrte ihn Fallen bauen, um Vögel damit zu fangen. Sie fingen auch viele Sanhassus damit, jene geschmeidigen bläulich gefiederten kleinen Vögel, die sie hinterher fliegen liessen, weil der Sanhassu kein Vogel für einen Käfig ist. ” Woran denkst du, Miguilim? ” fragte Onkel Terêz. ” Ich denke an meinen Vater “, antwortete er. Onkel Terêz fragte nicht weiter, und Miguilim wurde traurig, weil er gelogen hatte: er dachte an nichts, er dachte an das, was die Sanhassus fühlen mussten, wenn sie sich plötzlich von den Gefährten getrennt und eingesperrt sahen; und sie dauerten ihn, und erst in dem Augenblick, als Onkel Terêz die Frage an ihn gestellt hatte, war ihm jene Antwort entschlüpft. Aber die Sanhassus zwitscherten weiter, flatterten hin und her und liessen sich auf dem Papaya-Baum nieder; immer wieder gerieten sie in die Falle, und immer wieder wurden sie freigelassen, alles lief im Kreise. Und dann musste er an den Bischof denken, so reich gekleidet konnte fast nur ein König sein mit seinen bunten Kleidern, sogar seine Strümpfe waren rot, Kordeln hatte er an seinen Schuhen, und der Ring war so prächtig, dass man kaum Zeit hatte, ihn zu bewundern, obgleich man ihn beim Niederknien küsste.

” Onke Terêz, finden Sie, dass Mutúm schön oder hässlich ist? “

” Sehr schön, Miguilim, was denn sonst! Ich wohne gern hier. “

Indessen stammte Miguilim nicht aus Mutúm. Er was weit weg geboren, gleichfalls in einer Waldsenke, einem Ort mit Namen Rotholz, am Ufer des Saririnhém. Von dort entsann er sich längst entschwundener Dinge, es waren Erinnerungen, die ihn noch jetzt beängstigten. Er hatte an einem Zaun gestanden, der einen Hof eingrenzte; dahinter schnitt ihm ein grösserer Junge Grimassen herüber. In dem Hof war ein Puter, der kollert wütend, schlug ein Rad, stolzierte auf und ab, geschwollen, gespreizt, der Truthahn war das Prächtigste auf der Welt, er war mit einemmal wichtig, so bedeutend wie eine Geschchte – und der grosse kleine Junge sagte: ” Der gehört mir. ” Und ” Der gehört mir ” wiederholte Miguilim, nur um dem grossen Kleinen zu Gefallen su sein. Und schon hob der grosse kleine Junge mit beiden Händen einen Stein auf und schnitt eine noch schlimmere Grimasse: ” Waaah…! ” Und dann war alles ein Wirbel, und er wurde fortgetragen, und die Mutter jammerte: ” Sie haben mir mein Kind totgeschlagen! ” Und Miguilim konnte nichts mehr se hen; etwas Heisses, Zähflüssiges rann ihm von der Stirn und verklebte ihm die Augen. Aber diese Erinnerung vermengte sich mit einer anderen, und in der war er nackt im Waschbecken, und drum herum sein Vater, seine Mutter, Grossmama Izidra und Grossmama Benvinda; und der Vater Befahl: ” Bringt das Tier her! ” Und dann brachten sie das Gürteltier, das quiekte, und sie stachen das Gürteltier mit dem Messer ab und liessen sein Blut über Miguilim Körper in die Wanne fliessen. ” War das wirklich so, Mama? ” wolte er wissen, lange Zeit danach. Und die Mutter bestätigte es ihm. Sie sagte, er sie sehr schwach gewesen, habe gerade eine Krankheit hinter sich gehabt, und das Bad im warmen Blut des Gürteltiers hätte dazu gedient, ihn wieder zu Kräften zu bringen. Aus Rotholz bewahrte er auch andere Erinnerungen, freilich so flüchtige, so entrückte, dass sie Träumen glichen. Ein paar Mädchen, die sauber und gut rochen und ein helles, hübsches Lachen hatten, fassten ihn, hoben ihn über den Tischrand hinauf und gaben ihm aus einer riesengrossen Tasse zu kosten, Schlucke eines heissen Getränks, das nach Helligkeit duftete. Dann liessen sie ihn in einem Garten auf allen Vieren kriechen, es war ein Jubel unterall der Blätterfrische, und er liebte den Geruch der Erde, der Blätter, aber das schönste war doch der Geruch der kleinen roten, im Blattwerk versteckten Früchte gewesen, ein sprühender, tröpfelnder, lächelnder Geruch, der voll war von einer kleinen Fröhlichkeit. Es waren essbare Früchte. Aber die Mutter erklärte ihm, das sei nicht in Rotholz, sondern in Pindaíbas-von-Unten-und-Oben gewesen, auf der grossen Fazenda der Familie Barbóz, wo sie zu Besuch gewesen waren.

Von der Reise, die sie nach Mutúm gemacht hatten, waren ihm viele Bilder im Gedächtnis haftengeblieben. Die Mutter, er und die Brüder, in einem Ochsenwagen, überdacht mit Leder und ausgelegt mit Matten aus Burití-Blättern, voll von Kisten und Bündeln und einem Haufen Zeug – zwischen all dem hatten sie Verstecken gespielt. Von Zeit zu Zeit assen sie Gesalzenes oder süsses Palmenmus, Krokant oder Käse ohne Rinde. Einer der Brüder, er wusste nicht mehr welcher, trank Ziegenmilch; daher wuder die weisse Ziege an einer Stange hinter dem Wagen hergezogen. Die Zicklein reisten mit den Menschen im Wageninnern und blökten unablässig nach ihrer Mutter. Die arme Ziege – musste sie nich bald umfallen vor Müdigkeit? ” Fein, die hat Euter, zum Bersten voll “, sagte jemand. Warum liessen dann die Allerärmsten die ganze Milch unterwegs über Stock und Stein und Staub fliessen? Der Vater sass zu Pferd und ritt nebenher. Auch Onkel Terêz war wohl dabei, aber Miguilim erinnerte sich nicht mehr daran. Später begegneten sie einer Masse Rinder, die furchtbar wild waren: eine Viehherde unterwegs! Und sie kamen durch viele Orte.

” Was hast du mir denn aus S’rucuiú mitgebracht? ” fragte Chica.

” Ich hab’dir dieses Heiligenbild mitgebracht. “

Es war eine Mädchengestalt, ausgeschnitten aus einer Zeitung.

” Es ist hübsch. Hat’s der Bischof dir gegeben? “

” Ja. “

” Und für mich? Für mich? ” wollte Dito und der kleine Tomèsinho wissen.

Aber Miguilim hatte nichts mehr zu verschenken. Er steckte die Hand in die Tasche, fand aber nur ein Ende Draht, und ein paar Harzkügelchen, die er an einem Flussufer mit den Fingernägeln von der Borke eines Baumes abgekratzt hatte.

” Es war alles in einem Paket, allerhand Sachen… Aber es fiel in den Fluss, und das Wasser hat es verschlukt… In dem Fluss war ein Kaiman, riesengross… “

” Gelogen. Du lügst, und du kommst dafür in die Hölle ” sagte Drelina, die älteste, die um nichts gebettelt und abseits gestanden hatte.

” Ich komme nicht hinein, ich bin ja schon gefirmt. Aber ihr seid nicht gefirmt! “

” Wenn du gefirmt worden bist, wie heisst du dann? “

” Miguilim… “

” Dummkopf! Ich heisse Maria Adrelina Cessim Caz. Papa ist Nhô Bernardo Caz! Maria Francisca Cessim Caz, Expedito José Cessim Caz, Tomé de Jesus Cessim Caz… Und du bist Miguilim Dummkopf. ”
(…).

____

Fonte: Rosa, João Gumarães. “Miguilim”. Von: —Corps de Ballet: Romanzyklus. Aus dem Portugieschen von Curt Meyer-Clason. Deutschland: Kiepenheuer e Witsch, 1966. p. 5-20.





Bio fornecida pelo palestrante.

GRANDE SERTÃO: VEREDAS




Autor: João Guimarães Rosa
Título: Grande Sertão: Veredas, Grande Sertão
Idiomas: port, ita
Tradutor: Edoardo Bizzarri(ita)
Data: 28/12/2004

GRANDE SERTÃO: VEREDAS

I

João Guimarães Rosa

– Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: branco, erroso, os olhos de nem ser – se viu -; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão: determinaram – era o demo. Povo prascóvio. Mataram. Dono dele nem sei quem for. Vieram emprestar minhas armas, cedi. Não tenho abusões. O senhor ri certas risadas… Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente – depois, então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucuia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucuia vem dos montões oestes. Mas, hoje, que na beira dele, tudo dá – fazendões de fazendas, almargem de vargens de bom render, as vazantes; culturas que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda virgens dessas lá há. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães… O sertão está em toda parte.

Do demo? Não gloso. Senhor pergunte aos moradores. Em falso receio, desfalam no nome dele – dizem só: o Que-Diga. Vote! não… Quem muito se evita, se convive. Sentença num Aristides – o que existe no buritizal primeiro desta minha mão direita, chamado a Vereda-da-Vaca-Mansa-de-Santa-Rita – todo o mundo crê: ele não pode passar em três lugares, designados: porque então a gente escuta um chorinho, atrás, e uma vozinha que avisando: – “Eu já vou! Eu já vou!…” – que é o capiroto, o que-diga… E um Jisé Simplício – quem qualquer daqui jura ele tem um capeta em casa, miúdo satanazim, preso obrigado a ajudar em toda ganância que executa; razão que o Simplício se empresa em vias de completar de rico. Apre, por isso dizem também que a besta pra ele rupêia, nega de banda, não deixando, quando ele quer amontar… Superstição. Jisé Simplício e Aristides, mesmo estão se engordando, de assim não-ouvir ou ouvir. Ainda o senhor estude: agora mesmo, nestes dias de época, tem gente porfalando que o Diabo próprio parou, de passagem, no Andrequicé. Um Moço de fora, teria aparecido, e lá se louvou que, para aqui vir – normal, a cavalo, dum dia-e-meio – ele era capaz que só com uns vinte minutos bastava… porque costeava o Rio do Chico pelas cabeceiras! Ou, também, quem sabe – sem ofensas – não terá sido, por um exemplo, até mesmo o senhor quem se anunciou assim, quando passou por lá, por prazido divertimento engraçado? Há-de, não me dê crime, sei que não foi. E mal eu não quis. Só que uma pergunta, em hora, às vezes, clareia razão de paz. Mas, o senhor entenda: o tal moço, se há, quis mangar. Pois, hem, que, despontar o Rio pelas nascentes, será a mesma coisa que um se redobrar nos internos deste nosso Estado nosso, custante viagem de uns três meses… Então? Que-diga? Doidera. A fantasiação. E, o respeito de dar a ele assim esses nomes de rebuço, é que é mesmo um querer invocar que ele forme forma, com as presenças!

Não seja. Eu, pessoalmente, quase que já perdi nele a crença, mercês a Deus; é o que ao senhor lhe digo, à puridade. Sei que é bem estabelecido, que grassa nos Santos-Evangelhos. Em ocasião, conversei com um rapaz seminarista, muito condizente, conferindo no livro de rezas e revestido de paramenta, com uma vara de maria-preta na mão – proseou que ia adjutorar o padre, para extraírem o Cujo, do corpo vivo de uma velha, na Cachoeira-dos-Bois, ele ia com o vigário do Campo-Redondo… Me concebo. O senhor não é como eu? Não acreditei patavim. Compadre meu Quelemém descreve que o que releva efeito são os baixos espíritos descarnados, de terceira, fuzuando nas piores trevas e com ânsias de se travarem com os viventes – dão encosto. Compadre meu Quelemém é quem muito me consola – Quelemém de Góis. Mas ele tem de morar longe daqui, na Jujujã, Vereda do Buriti Pardo… Arres, me deixe lá, que – em endemoninhamento ou com encosto – o senhor mesmo deverá de ter conhecido diversos, homens, mulheres. Pois não sim? Por mim, tantos vi, que aprendi. Rincha-Mãe, Sangue-d’Ouro, o Muitos-Beiços, o Rasga-em-Baixo, Faca-Fria, o Fancho-Bode, um Treciziano, o Azinhavre… o Hermógenes… Deles, punhadão. Se eu pudesse esquecer tantos nomes… Não sou amansador de cavalos! E, mesmo, quem de si de ser jagunço se entrete, já é por alguma competência entrante do demônio. Será não? Será?

De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de difícel, peixe vivo no moquém: quem mói no asp’ro, não fantasêia. Mas, agora, feita a folga que me vem, e sem pequenos dessossegos, estou de range rede. E me inventei neste gosto, de especular idéia. O diabo existe e não existe? Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água se caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso…

Explico ao senhor: o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem – ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos. Solto, por si, cidadão, é que tem diabo nenhum. Nenhum! – é o que digo. O senhor aprova? Me declare tudo, franco – é alta mercê que me faz: e pedir posso, encarecido. Este caso – por estúrdio que me vejam – é de minha certa importância. Tomara não fosse… Mas, não diga que o senhor, assisado e instruído, que acredita na pessoa dele?! Não? Lhe agradeço! Sua alta opinião compõe minha valia. Já sabia, esperava por ela – já o campo! Ah, a gente, na velhice, carece de ter sua aragem de descanso. Lhe agradeço. Tem diabo nenhum. Nem espírito. Nunca vi. Alguém devia de ver, então era eu mesmo, este vosso servidor. Fosse lhe contar… Bem, o diabo regula seu estado preto, nas criaturas, nas mulheres, nos homens. Até: nas crianças – eu digo. Pois não é ditado: “menino – trem do diabo”? E nos usos, nas plantas, nas águas, na terra, no vento… Estrumes… O diabo na rua no meio do redemunho…

Hem? Hem? Ah. Figuração minha, de pior pra trás, as certas lembranças. Mal haja-me! Sofro pena de contar não… Melhor, se arrepare: pois, num chão, e com igual formato de ramos e folhas, não dá a mandioca mansa, que se come comum, e a mandioca-brava, que mata? Agora, o senhor já viu uma estranhez? A mandioca-doce pode de repente virar azangada – motivos não sei; às vezes se diz que é por replantada no terreno sempre, com mudas seguidas, de manaíbas – vai em amargando, de tanto em tanto, de si mesma toma peçonhas. E, ora veja: a outra, a mandioca-brava, também é que às vezes pode ficar mansa, a esmo, de se comer sem nenhum mal. E que isso é? Eh, o senhor já viu, por ver, a feiúra de ódio franzido, carantonho, nas faces duma cobra cascavel? Observou o porco gordo, cada dia mais feliz bruto, capaz de, pudesse, roncar e engolir por sua suja comodidade o mundo todo? E gavião, corvo, alguns, as feições deles já representam a precisão de talhar para adiante, rasgar e estraçalhar a bico, parece uma quicé muito afiada por ruim desejo. Tudo. Tem até tortas raças de pedras, horrorosas, venenosas – que estragam mortal a água, se estão jazendo em fundo de poço; o diabo dentro delas dorme: são o demo. Se sabe? E o demo – que é só assim o significado dum azougue maligno – tem ordem de seguir o caminho dele, tem licença para campear?! Arre, ele está misturado em tudo.

Que o que gasta, vai gastando o diabo de dentro da gente, aos pouquinhos, é o razoável sofrer. E a alegria de amor – compadre meu Quelemém diz. Família. Deveras? É, e não é. O senhor ache e não ache. Tudo é e não é… Quase todo mais grave criminoso feroz, sempre é muito bom marido, bom filho, bom pai, e é bom amigo-de-seus-amigos! Sei desses. Só que tem os depois – e Deus, junto. Vi muitas nuvens.

Mas, em verdade, filho, também, abranda. Olhe: um chamado Aleixo, residente a légua do Passo do Pubo, no da-Areia, era o homem de maiores ruindades calmas que já se viu. Me agradou que perto da casa dele tinha um açudinho, entre as palmeiras, com traíras, pra-almas de enormes, desenormes, ao real, que receberam fama; o Aleixo dava de comer a elas, em horas justas, elas se acostumaram a se assim das locas, para papar, semelhavam ser peixes ensinados. Um dia, só por graça rústica, ele matou um velhinho que por lá passou, desvalido rogando esmola. O senhor não duvide – tem gente, neste aborrecido mundo, que matam só para ver alguém fazer careta… Eh, pois, empós, o resto o senhor prove: vem o pão, vem a mão, vem o são, vem o cão. Esse Aleixo era homem afamilhado, tinha filhos pequenos; aqueles eram o amor dele, todo, despropósito. Dê bem, que não nem um ano estava passado, de se matar o velhinho pobre, e os meninos do Aleixo aí adoeceram. Andaço de sarampão, se disse, mas complicado; eles nunca saravam. Quando, então, sararam. Mas os olhos deles vermelhavam altos, numa inflama de sapiranga à rebelde; e susseguinte – o que não sei é se foram todos duma vez, ou um logo e logo outro e outro – eles restaram cegos. Cegos, sem remissão dum favinho de luz dessa nossa! O senhor imagine: uma escadinha – três meninos e uma menina – todos cegados. Sem remediável. O Aleixo não perdeu o juízo; mas mudou: ah, demudou completo – agora vive da banda de Deus, suando para ser bom e caridoso em todas suas horas da noite e do dia. Parece até que ficou o feliz, que antes não era. Ele mesmo diz que foi um homem de sorte porque Deus quis ter pena dele, transformar para lá o rumo de sua alma. Isso eu ouvi, e me deu raiva. Razão das crianças. Se sendo castigo, que culpa das hajas do Aleixo aqueles meninozinhos tinham?!

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Fonte: Rosa, João Guimarães. Grande sertão: veredas. 17ª.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. Cap. 1. p. 7-12.

 

GRANDE SERTÃO: ROMANZO.

I

João Guimarães Rosa

“Nonnulla. I colpi che vossignoria ha sentido non erano di rissa di uomini, no, Dio ne guardi. Ho sparato contro un albero, dietro la casa, dalla parte del torrente. Per esercizio. Lo faccio tutti i giorni, mi piace; fin da quando ero appena un ragazzo. E lí, sono venuti a chiamarmi. Per via di un vitello: un vitello bianco, erratico, gli occhi che manco un cristiano – che era apparso; e con faccia di cane. Cosi m’hanno detto; io non l’ho voluto vedere. E poi, con le labbra rovesciate in fuori, per difetto di nascita, quello sembrava ridere come una persona. Faccia di gente, faccia di cane: decisero – era il demonio. Popolo ignorante. L’hanno ammazzato. Il padrone non so neppure chi fosse. Erano venuti a chiedermi in prestito le armi, le ho date. Non sono superstizioso. Vossignoria ha ragione di ridere… Veda: quando è sparatoria vera, per prima cosa i cani si mettono ad abbaiare, immediatamente – allora, poi, si va a vedere se ci sono scappati dei morti. Vossignoria deve compatire, questo è il sertão. C’è chi dice di no: il vero sertão, dicono quelli, è piú avanti addentro nei Campos Gerais, fine di strade, terre alte, oltre l”Urucuia. Sciocchezze. E quelli di Corinto e di Curvelo, allora, non chiamano forse sertão questi posti qui? Ah, è maggiore! Il luogo sertão si riconosce: è dove i pascoli mancano di steccati; dove uno può andare dieci, quindici leghe, senza trovare una casa abitata; e dove il criminale vive a suo piacere, lontano dalle strette delle autorità. L’Urucuia viene dalle montagne di ponente. Ma, oggi, lungo il suo corso, c’è di tutto – signore fazende, pascoli di sponde fertili, tratti di greto coltivati, piantagioni che vanno da una macchia all’altra, foreste enormi, addirittura di vergini ce ne sono ancora, là. I Gerais corrono tutto all’intorno. Questi Gerais non hanno misura. Infine, ognuno trova buono quel che piú gli fa comodo, vossignoria lo sa: cioce o scarponi, è questione di opinioni… Il sertão è in ogni parte.

Del demonio? Non dico nulla. Vossignoria domandi qui agli abitanti. Per sciocca cautela, non ne pronunciano il nome – dicono soltanto: il Lo-dica-chi-vuole. Puah! non… Chi molto si evita, ci sta sempre addosso. A quello che si racconta di un certo Aristide – quel tale che abita nel primo palmeto di buritís alla mia mano destra, chiamato Vereda-della-Vacca-Mansa-di-Santa-Rita – ci credono tutti: lui non poù passare in tre posti, designati: perché allora si sente un pianterello, dietro a lui, e una vocetta che avvisa: “Vengo anch’io! Vengo anch’io!…” ed è l’incappucciato, il Lo-dica-chi-vuole… E un certo Peppe Simplicio – di cui qualsiasi persona di qui giura che lui si tiene un diavolo in casa, un piccolo satanassino, prigioniero, costretto ad aiutarlo in ogni traffico in cui lui si mette; ragion per cui Simplicio si trova ben avviato sulla strada della ricchezza. Basta, per questo dicono anche che la cavalcatura davanti a lui rizza il pelo, scarta di lato, non lo lascia montare, quando lui vorrebbe… Superstizione. Peppe Simplicio e Aristide, con queste storie, che sentono e non sentono, ci si stanno addirittura ingrassando. Considere ancora vossignoria: proprio adesso, in questi giorni, c’è chi racconta che il Diavolo in persona s’è fermato, di passagio, ad Andrequicé. Un Giovane forestiero, sarebbe apparso, e lí si vantò che, per venire qui – roba, normale, a cavallo, di un giorno e mezzo – lui era capace di farcela in appena un venti minuti… perché avrebbe costeggiato il Rio di San Francisco girando per le sorgenti. O, anche, chi sa – senza offesa – se non è stato, per esempio, addirittura vossignoria ad annunciarsi cosí, quando è passato di là, tanto per il gusto di spassarsela? No, no, non me ne faccia colpa, so bene che lei non è stato. E non l’ho detto per male. Solo che una domanda, al momento giusto, a volte, chiarisce la ragione e ci dà pace. Ma, vossignoria comprenda: quel tal giovane, seppure esiste, ha voluto ridere alle spalle degli altri. Perché, eh, fare il giro del Rio per le sorgenti, è la stessa cosa che andare avanti e indietro per l’interno di questo nostro Stato, viaggio che ci vogliono almeno un tre mesi… E allora? Lo-dica-chi-vuole? Vaneggiamento. Una fantasticheria. E, la precauzione di dargli cosí quei nomi di copertura, è proprio un chiedere a tutti i costi che quello formi forma, con tanto di presenza!

Non sia mai. Io, personalmente, a lui non ci credo quasi più, grazie a Dio: è quanto dico a vossignoria, con tutto candore. So che è ben consolidato, che si estende per i Santi-Vangeli. Una volta, ebbi occasione di parlarne con un giovane seminarista, molto a posto, che consultava il libro delle preghiere e indossava i paramenti, e aveva una verga di mariapreta in mano – mi disse che andava ad aiutare il prete, a estirpare il Detto, dal corpo vivo di una vecchia, a Salto-dei-Buoi, andava col parroco di Campo-Redondo… Si figuri. Vossignoria non è come me? Non ci credetti per niente. Il mio compare Clemente spiega che quel che si manifesta in effeti sono gli spiriti bassi disincarnati, di terza categoria, che sbaraondano nelle peggiori tenebre, con una gran voglia di appiccicarsi ai vivi – per appoggio. Il mio compare Clemente è che mi dà molto conforto – Clemente do Gois. Ma lui purtroppo abita lontano da qui, a Gigiugian, Vereda del Burití Scuro… Basta, lasciamo stare che – in indemoniamento o con appoggio – anche vossignoria deve averne conosciuti diversi, uomini, donne. Non è cosí? Quanto a me, tanti ne ho visti, che ho imparato. Il Ghignone, Sangue-d’Altro, il Labbruto, Squarcia-in-Basso, Lama-Fredda, il Godi-Chiappe, un Treciziano, il Rugginoso… l’Ermogene… Di quelli, un mucchio. Se potessi dimenticare tanti nomi… Non sono domatore di cavalli! E poi, se uno si mette a fare la vita del jagunço, è già per qualche entrante competenza del demonio. Non è cosí? No?

In principio, io facevo e mi agitavo, ma quanto a pensare, non pensavo. Me ne mancavano i tempi. Ho vissuto estraendo il difficile dal difficile, pesce vivo sulla graticola: chi macina nel duro, non può fantasticare. Ma, adesso, fattomi quest’ozio, e senza piccole inquietudini, me ne sto a pancia all’aria. E mi sono creato questo gusto, di speculare idee. Il diavolo esiste o non esiste? Me lo domando. Salvognuno. Queste malinconie. Vossignoria vede: esiste la cascata d’acqua; e allora? Ma la cascata è terreno scosceso, e acqua che viene giú, precipitando; vossignoria consuma quell’acqua, o spiana quel terreno, ci rimane forse la cascata? Vivere è una faccenda molto pericolosa…

Mi spiego: il diavolo vige dentro l’uomo, nelle increspature dell’uomo – o è l’uomo rovinato, o l’uomo degli occulti. Sciolto, di per sé, libero cittadino, è che non esiste diavolo nessuno. Nessuno! – è quel che dico. Vossignoria concorda? Mi dichiari tutto, con franchezza – è grazia grande che mi fa: e chiedere posso, con molto calore. Questo caso – per stravaganti che io possa sembrare – è di particolare interesse per me. Magari non fosse… Ma, non mi dica che vossignoria, cosí assenato e istruito, crede nella persona di quello?! No? La ringrazio. La sua alta opinione mi dà forza. Già la sapevo, me l’aspettavo – con certezza! Ah, la gente, nella vecchiaia, ha bisogno di avere la sua brezza di riposo. La ringrazio. Non c’è diavolo nessuno. Neppure spirito. Non l’ho mai visto. Se qualcuno doveva vederlo, ero proprio io, questo suo servo. Se le raccontassi… Bene, il diavolo regola il suo nero essere, nelle creature, nelle donne, negli uomini. Perfino: nei bambini – dico io. Non c’è forse il detto: “ragazzino – roba del diavolo?” E negli usi, nelle piante, nelle acque, nella terra, nel vento… Sterco… Il diavolo per la via, in mezzo al vortice…

Eh? Eh? Ah. Immaginazione mia, dal peggio all’indietro, i ricordi certi. Accidenti a me! Reccontare non mi fa male… Anzi, presti attenzione: ebbene, in uno stesso terreno, e con lo stesso formato di rami e di foglie, non cresce la manioca buona, che si mangia comunemente, e la manioca selvatica, che uccide? Ora, vossignoria ha già visto questa stranezza? La manioca dolce può all’improvviso diventare arrabbiata – per quale motivo, non so; a volte si dice che è perché ripiantata sempre nello stesso terreno, con talee continuate – si va facendo amara, di tanto in tanto, si avvelena da sé. E, ora, veda: l’altra, la manioca selvatica, anche quella, può a volte divenire buona, chi sa perché, da poterla mangiare senza alcun male. E questo che è? Eh, vossignoria ha già visto, per caso, la bruttezza di odio increspato, grintuto, sul muso di un serpente a sonagli? Ha osservato il maiale grasso, bruto felice ogni giorno di piú, capace, potesse, di sgrufolarsi e di trangugiare per la sua porca comodità il mondo tutto? E falchi, corvi, in alcuni l’aspetto già rappresenta il bisogno di tagliare avanti a loro, di squarciare e fare a pezzi a colpi di becco, sembrano forbici bene affilate da un desiderio malvagio. Tutto. Ci sono perfino razze di pietre sbagliate, orribili, velenose – che inquinano di morte l’acqua, se giacciono in fondo a un pozzo; il diavolo dorme dentro di esse; sono il demonio. Si sa? E il demonio – che è solo cosí il significato di un’intelligenza maligna – ha l’ordine di seguirne il cammino, ha licenza di battere la campagna?! Basta, lui sta mescolato in tutte le cose.

Quel che consuma, che va consumando il diavolo, dentro la gente, a poco a poco, è il ragionevole soffrire. E l’allegria d’amore – dice il mio compare Clemente. La famiglia. Davvero? Sí, e no. Vossignoria può essere d’accordo e può non esserlo. Tutto è e non è. Ogni puí grave criminale feroce, quasi sempre è buon marito, buon figlio, buon padre, ed è buon amico-dei-suoi-amici! Ne conosco. Solo che hanno i dopo – e Dio, insieme. Ho visto molte nuvole.

Ma, a dire il vero, i figli, anche addolciscono. Guardi: un tale chiamato Alessio, residente a una lega dal Passo del Pubo, sul Torrente della Sabbia, era uomo delle maggiori cattiverie a freddo che mai si fosse visto. C’era, vicino alla sua casa, una piacevole piccola pescaia, tra le palme, con trairas, grandi fuori del comune, stragrandi, di fatto, che divennero famose; Alessio dava loro da mangiare, all’ora giusta, e quelle si erano abituate a venir fuori dai nascondigli, per mangiare, sembravano pesci ammaestrati. Un giorno, cosí solo per scherzo grossolano, ammazzò un vecchietto che passava di là, mezzo invalido e chiedeva l’elemosina. Vossignoria stia pur certo – c’è gente, in questo mondo noioso, che ammazza solo per vedere un altro fare una smorfia… Eh, dunque, poi, il resto vossignoria comprovi: viene il pan, vien la man, viene il san, viene il can. Quel tale Alessio aveva famiglia, con figli piccoli; e quelli erano il suo amore, tutto, uno sproposito. Presti bene attenzione, manco era passato un anno, dall’ammazzare quel vecchietto povero, e i bambini di Alessio s’ammalarono. Epidemia di morbillo, si disse, ma complicato; non guarivano mai. Poi, finalmente, guarirono. Ma i loro occhi divennero rossi rossi, in un’infiammazione di blefarite ribelle; e successivamente – quel che non so è se accadde a tutti insieme, o prima all’uno e poi all’altro – quelli rimasero ciechi. Ciechi senza il condono di un tantinello cosí di questa nostra luce! Immagini vossignoria: una scaletta – tre bambini e una bambina – tutti accecati. Senza rimedio possibile. Alessio non perse il senno; ma cambiò: ah, cambiò per completo – adesso vive dalla parte di Dio, sudando per essere buono e caritatevole a tutte le ore della notte e del giorno. Sembra addirittura che sia diventato felice, quel che prima non era. Lui stesso dice di essere stato un uomo fortunato, perché Dio ha voluto aver compassione di lui, e mutare la rotta della sua anima. Quando ho inteso questo, mi è venuta rabbia. Per via dei bambini. Se si trattava di castigar lui, che colpa delle malefatte di Alessio avevano quelle creaturine?

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Fonte: Rosa, João Guimarães. Grande sertão: romanzo. Tradotto da Edoardo Bizzarri. Firenze: Giangiacomo Feltrinelli Editore, 1970. Cap. 1. p. 9-13.





Bio fornecida pelo palestrante.

LA TERZA SPONDA DEL FIUME




Autor: João Guimarães Rosa
Título: La terza sponda del fiume
Idiomas: ita
Tradutor: Giulia Lanciani(ita)
Data: 28/12/2004

LA TERZA SPONDA DEL FIUME


João Guimarães Rosa

I

Questa è la storia. Andava un bambino, com gli Zii, a passare dei giorni nel luogo in cui si construiva la grande cittá. Era um viaggio inventato nel felice; per lui, si svolgeva in circostanza di sogno. Uscivano ancora col buio, l´aria fine di odori sconosciuti. La Madre e il Padre lo accompagnavano all´aeroporto. La Zia e lo Zio lo prendevano in consegna, convenientemente. Ci si sorrideva, ci si salutava, tutti si ascoltavano e parlavano. L´aereo era della Campagnia, speciale, a quattro posti. Gli rispondevano a tutte le domande, perfino il pilota chiacchierò com lui. Il vollo sarebbe durato poco più di due ore. Il bambino fremeva dall´eccitazione, contento de ridersela tra sé, languidamente, con un´aria di foglia che cade. La vita poetva a volte risplendere in uma verità straordinaria. Ache l´allacciargli la cintura di scurezza si mutava in forte carezza, di protezione, e subito um nuovo senso di esperanza: per il non-saputo, il più. Cosi um crescere e scomprimersi – certo como l´atto di respirare – quello di fuggire verso lo spazio in bianco. Il Bambino.
E le cose venivano dolcemente d´improvviso, seguendo un´armonia previa, benefica, in movimenti concordanti: le soddisfazioni prima della conscienza dei bisogni. Gli davano caramelle, gomme, a scelta. Sollecito tanto era bem-disposto, lo Zio gli insegnava come reclinare il sedile – bastava Che premesse la leva. Il suo posto era quello dell´oblò, serso il mobile mondo. Gli passavano riviste, da sfogliare, quante ne voleva, perfino una carta geográfica, e gli indicavano i punti in cui ora e ora se trovavano, sopra dove. Il Bambino le abbandonava, annoiato, sulle ginocchia, e guardava: le nuvole di accumulata amablità, l´azzurro di sola ária, quella chiarità diffusa,il suolo piatto in visione cartografica, ripartito in boscaglia e campi, il verde che trascorreva a gialli e vermegli e a bruno e a verde; e, al di là, bassa, la montagna. Uomini , bambini, cavalli e buoi – così insetti? Volavano supremamente. Il Bambino, ora, viveva; la sua alegria sprizzava tutti i raggi. Sedeva, tutto intero, dentro il soffice rumore dell´aereo: il bel giocattoto laborioso. Ancora non si era reso conto, in effetti, dia ver voglia di mangiare, che già la Zia gli offriva dei sandwiches, e lo Zio gli prometteva le molte cose Che avrebbe giocato e visto, e fatto e passegiato, appena arrivati. Il Bambino aveva tutto in uma volta, e nulla, davanti allá mente. La luce e la lunga-lunga-lunga nuvola. Arrivavano.

II

Quando appena vacillava il mattino. La grande cittá cominciava allora a farsi, in uma semilanda, sull´altopiano: la mágica monotonia, la diluita aria. Il campo di atterraggio era a poça distanza dalla casa, di legno, su grossi pali, quasi a penetrare la foresta. Il Bambino vedeva, intravedeva. Respirava forte. Avrebbe potuto vedera ancora più vividamente – le nuove tante cose – quel che ai suoi occhi si pronunciava. L´abitazione era piccola, si passava súbito alla cucina, e a quel che non era próprio uns giardino, piuttosto breve radura, con gli alberi che non possono entrare dentro casa. Alte, liane e orchidee gialle da essi pendevano. Da lì, potevano uscire índios, il giaguaro, leone, lupi, cacciatori. Solo suoni. Uno – e altri uccelli – dai lunghi canti. Fu questo ad aprirgli il cuore. Quegli uccelli bevevano acquavite? Signore! Quando avvistò il tacchino, imperiale, gli dava le spalle, per ricevere la sua ammirazione. Aveva esploso la coda, e si gonfiò, facendo la ruota: il raspare delle ali per terra – brusco, rude, – si era proclamato. Gloglottò, scuotendo il bargiglio denso de chicchi Rossi, e la testa aveva screziature d´um azzurro-chiaro, raro, di cielo e sanhaços: e lui, completo, tornito, rotondoso, tutto in sfere e piani, com riflessi di verdi metalli in azzurro-e-nero – il tacchino per sempre. Bello, bello! Aveva um che di calore, potere e fiore, um traboccamento. La sua ispida grandezza tonitruante. La sua colorita arroganza. Soddisfaceva gli occhi, era da suonare la tromba. Callerico, tronfio, muovendosi sgorgogliò altro gluglu. Il Bambino rise, com tutto il cuore. Ma solo bis-vide. Già lo chiamavano, per la passeggiata.

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Fonte: ROSA, João Guimarães. La terza sponda del fiume. Traduzione di Giulia Lanciani. Milano: Oscar Mondadori, 2003. p. 7-9





Bio fornecida pelo palestrante.

PRIMEIRAS ESTÓRIAS




 
Autor: João Guimarães Rosa
Título: Primeiras Estórias, Premìeres Histoires
Idiomas: port, fra
Tradutor: Ines Oseki Depré(fra)
Data: 28/12/2004

PRIMEIRAS ESTÓRIAS
I


João Guimarães Rosa

Esta é a estória. Ia um menino, com os Tios, passar dias no lugar onde se construía a grande cidade. Era uma viagem inventada no feliz; para ele, produzia-se em caso de sonho. Saíam ainda com o escuro, o ar fino de cheiros desconhecidos. A Mãe e o Pai vinham trazê-lo ao aeroporto. A Tia e o Tio tomavam conta dele, justinhamente. Sorria-se, saudava-se, todos se ouviam e falavam. O avião era da Companhia, especial, de quatro lugares. Respondiam-lhe a todas as perguntas, até o piloto conversou com ele. O vôo ia ser pouco mais de duas horas. O menino fremia no acorçôo, alegre de se rir para si, confortavelzinho, com um jeito de folha a cair. A vida podia às vezes raiar numa verdade extraordinária. Mesmo o afivelarem-lhe o cinto de segurança virava forte afago, de proteção, e logo novo senso de esperança: ao não-sabido, ao mais. Assim um crescer e desconter-se – certo como o ato de respirar – o de fugir para o espaço em branco. O Menino.
E as coisas vinham docemente de repente, seguindo harmonia prévia, benfazeja, em movimentos concordantes: as satisfações antes da consciência das necessidades. Davam-lhe balas, chicles, à escolha. Solicito de bem-humorado, o Tio ensinava-lhe como era reclinável o assento – bastando a gente premer manivela. Seu lugar era o da janelinha, para o móvel mundo. Entregavam-lhe revistas, de folhear, quantas quisesse, até um mapa, nele mostravam os pontos em que ora e ora se estava, por cima de onde. O Menino deixava-as, fartamente, sobre os joelhos, e espiava: as nuvens de amontoada amabilidade, o azul de só ar, aquela claridade à larga, o chão plano em visão cartográfica, repartido de roças e campos, o verde que se ia a amarelos e vermelhos e a pardo e a verde; e, além, baixa, a montanha. Se homens, meninos, cavalos e bois – assim insetos? Voavam supremamente. O Menino agora, vivia; sua alegria despedindo todos os raios. Sentava-se, inteiro, dentro do macio rumor do avião: o bom brinquedo trabalhoso. Ainda nem notara que, de fato, teria vontade de comer, quando a Tia já lhe oferecia sanduíches. E prometia-lhe o Tio as muitas coisas que ia brincar e ver, e fazer e passear, tanto que chegassem. O Menino tinha tudo de uma vez, e nada, ante a mente. A luz e a longa-longa-longa nuvem. Chegavam.

II

Enquanto mal vacilava a manhã. A grande cidade apenas começava a fazer-se, num semi-ermo, no chapadão: a mágica monotonia, os diluídos ares. O campo de pouso ficava a curta distancia da casa – de madeira, sobre estacões, quase penetrando na mata. O Menino via, vislumbrava. Respirava muito. Ele queria poder ver ainda mais vivido – as novas tantas coisas – o que para os seus olhos se pronunciava. A morada era pequena, passava-se logo à cozinha, e ao que não era bem quintal, antes breve clareira, das árvores que não podem entrar dentro de casa. Altas, cipós e orquideazinhas amarelas delas se suspendiam. Dali, podiam sair índios, a onça, leão, lobos, caçadores? Só sons. Um – e outros pássaros – com cantos compridos. Isso foi o que abriu seu coração. Aqueles passarinhos bebiam cachaça?
Senhor! Quando avistou o peru, no centro do terreiro, entre a casa e as árvores da mata. O peru, imperial, dava-lhe as costas, para receber sua admiração. Estalara a cauda, e se entufou, fazendo roda: o rapar das asas no chão – brusco, rijo, – se proclamara. Grugrulejou, sacudindo o abotoado grosso de bagas rubras; e a cabeça possuía laivos de um azul-claro, raro, de céu e sanhaços; e ele, completo, torneado, redondoso, todo em esferas e planos, com reflexos de verdes metais em azul-e-preto – o peru para sempre. Belo, belo! Tinha qualquer coisa de calor, poder e flor, um transbordamento. Sua ríspida grandeza tonitruante. Sua colorida empáfia. Satisfazia os olhos, era de se tanger trombeta. Colérico, encachiado, andando, gruziou outro gluglo. O Menino riu, com todo o coração. Mas só bis-viu. Já o chamavam, para passeio.

III

Iam de jipe, iam aonde ia ser um sítio do Ipê. O Menino repetia-se em íntimo o nome de cada coisa. A poeira, alvissareira. A malva-do-campo, os lentiscos. O velame-branco, de pelúcia. A cobra-verde, atravessando a estrada. A arnica: em candelabros pálidos. A aparição angélica dos papagaios. As pitangas e seu pingar. O veado campeiro: o rabo branco. As flores em pampa arroxeadas da canela-de-ema. O que o Tio falava: que ali havia “imundície de perdizes”. A tropa de seriemas, além, fugindo, em fila, índio-a-índio. O par de garças. Essa paisagem de muita largura, que o grande sol alagava. O buriti, a beira do corguinho, onde, por um momento, atolaram. Todas as coisas, surgidas do opaco. Sustentava-se delas sua incessante alegria, sob espécie sonhosa, bebida, em novos aumentos de amor. E em sua memória ficavam, no perfeito puro, castelos já armados. Tudo, para a seu tempo ser dadamente descoberto, fizera-se primeiro estranho e desconhecido. Ele estava nos ares.
Pensava no peru, quando voltavam. Só um pouco, para não gastar fora de hora o quente daquela lembrança, do mais importante, que estava guardado para ele, no terreirinho das árvores bravas. Só pudera tê-lo um instante, ligeiro, grande, demoroso. Haveria um, assim, em cada casa, e de pessoa?
Tinham fome, servido o almoço, tomava-se cerveja. O Tio, a Tia, os engenheiros. Da sala, não se escutava o galhardo ralhar dele, seu grugrulejo? Esta grande cidade ia ser a mais levantada no mundo. Ele abria leque, impante, explodido, se enfunava… Mal comeu dos doces, a marmelada, da terra, que se cortava bonita, o perfume em açúcar e carne de flor. Saiu, sôfrego de o rever.
Não viu: imediatamente. A mata é que era tão feia de altura. E – onde? Só umas penas, restos, no chão. – “Ué, se matou. Amanhã não é o dia-de-anos do doutor?” Tudo perdia a eternidade e a certeza; num lufo, num átimo, da gente as mais belas coisas se roubavam. Como podiam? Por que tão de repente? Soubesse que ia acontecer assim, ao menos teria olhado mais o peru – aquele. O peru – seu desaparecer no espaço. Só no grão nulo de um minuto, o Menino recebia em si um miligrama de morte. Já o buscavam: – “Vamos aonde a grande cidade vai ser, o lago…”

IV

Cerrava-se, grave, num cansaço e numa renuncia a curiosidade, para não passear com o pensamento. Ia. Teria vergonha de falar do peru. Talvez não devesse, não fosse direito ter por causa dele aquele doer, que põe e punge, de dó, desgosto e desengano. Mas, matarem-no, também, parecia-lhe obscuramente algum erro. Sentia-se sempre mais cansado. Mal podia com o que agora lhe mostravam, na circuntristeza: o um horizonte, homens no trabalho de terraplenagem, os caminhões de cascalho, as vagas árvores, um ribeirão de águas cinzentas, o velame-do-campo apenas uma planta desbotada, o encantamento morto e sem pássaros, o ar cheio de poeira. Sua fadiga, de impedida emoção, formava um medo secreto: descobria o possível de outras adversidades, no mundo maquinal, no hostil espaço; e que entre o contentamento e a desilusão, na balança infidelíssima, quase nada medeia. Abaixava a cabecinha.
Ali fabricava-se o grande chão do aeroporto – transitavam no extenso as compressoras, caçambas, cilindros, o carneiro socando com seus dentes de pilões, as betumadoras. E como haviam cortado lá o mato? – a Tia perguntou. Mostraram-lhe a derrubadora, que havia também: com a frente uma lamina espessa, feito limpa-trilhos, a espécie de machado. Queria ver? Indicou-se uma árvore: simples, sem nem notável aspecto, a orla da área matagal. O homenzinho tratorista tinha um taco de cigarro na boca. A coisa pôs-se em movimento. Reta, até que devagar. A árvore, de poucos galhos no alto, fresca, de casca clara… e foi só o chofre: ruh… sobre o instante ela para lá se caiu, toda, toda. Trapeara tão bela. Sem nem se poder apanhar com os olhos o acertamento – o inaudito choque – o pulso da pancada. O Menino fez ascas. Olhou o céu – atônito de azul. Ele tremia. A árvore, que morrera tanto. A limpa esguiez do tronco e o marulho imediato e final de seus ramos – da parte de nada. Guardou dentro da pedra.

V

De volta, não queria sair mais ao terreirinho, lá era uma saudade abandonada, um incerto remorso. Nem ele sabia bem Seu pensamentozinho estava ainda na fase hieroglífica. Mas foi, depois do jantar. E – a nem espetaculosa surpresa – viu-o, suave inesperado: o peru, ali estava! Oh, não. Não era o mesmo. Menor, menos muito. Tinha o coral, a arrecauda, a escova, o grugrulhar grufo, mas faltava em sua penosa elegancia o recacho, o englobo, a beleza esticada do primeiro. Sua chegada e presença, em todo o caso, um pouco consolavam.
Tudo se amaciava na tristeza. Até o dia; isto era: já o vir da noite. Porém, o subir da noitinha e sempre e sofrido assim, em toda a parte. O silêncio saía de seus guardados. O Menino, timorato, aquietava-se com o próprio quebranto: alguma força, nele, trabalhava por arraigar raízes, aumentar-lhe alma.
Mas o peru se adiantava até a beira da mata. Ali adivinhara – o que? Mal dava para se ver, no escurecendo. E era a cabeça degolada do outro, atirada ao monturo. O Menino se doía e se entusiasmava.
Mas: não. Não por simpatia companheira e sentida o peru até ali viera, certo, atraído. Movia-o um ódio. Pegava de bicar, feroz, aquela outra cabeça. O Menino não entendia. A mata, as mais negras árvores, eram um montão demais; o mundo.
Trevava.
Voava, porém, a luzinha verde, vindo mesmo da mata, o primeiro vaga-lume. Sim, o vaga-lume, sim, era lindo! – tão pequenino, no ar, um instante só, alto, distante, indo-se. Era, outra vez em quando, a Alegria.
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Fonte: ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias: contos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. p. 7-12.

 
 
 

PREMIERES HISTOIRES 
LES BORDS DE LA JOIE

João Guimarães Rosa
Voici I’histoire. Un garçon s’en allait, avec ses Oncles, passer quelques jours dans le lieu où on bâtissait la grande ville. C’était un voyage projeté dans la félicité; pour lui, ça arrivait dans un cadre de rêve. Ils partaient encore avec l’obscurité, l’air embaumé d’odeurs inconnues. La Mère et le Père venaient le conduire à l’aéroport. La Tante et l’Oncle prenaient soin de lui, exactement comme il fallait. On se souriait, on se saluait, tous s’écoutaient et se parlaient. L’avion appartenait à la Compagnie, il était spécial, à quatre places. On répondait à toutes ses questions, même le pilote bavarda avec lui. Le vol allait durer un peu plus de deux heures. Le garçon frémissait d’animation, joyeux au point de se rire tout seul, bien confortable, avec une mine de feuille qui tombe. La vie pouvait des fois étinceler d’extraordinaire vérité. Même le fait qu’on lui boucle sa ceinture de sécurité devenait caresse forte, de protection, et tout de suite un nouveau signe d’espoir: vers le non-connu, vers le en-plus. Ainsi un grandissement et une liberation – aussi sûrs que l’acte de respirer – celui vers l’espace en blanc. Le Garçon.
Et les choses arrivaient doucement, soudainement, selon une harmonie préétablie, bienfaisante, dans des mouvements accordés: les satisfactions des besoins avant la conscience d’en avoir. On lui offrait des confiseries, des chewing-gums, au choix. D’une sollicitude de bonne humeur, l’Oncle lui apprenait comment le siège était inclinable, – il suffisait pour cela d’en actionner la manette. Sa place était à côté de la fenêtre, vers le monde mobile. On lui passait des magazines, à feuilleter, autant qu’il en voulait, même une carte, sur laquelle on lui montrait les points où tour à tour on était, par-dessus. Le Garçon les laissait, nombreux, sur ses genoux, et épiait: les nuages d’amabilité entassée, l’azur seulement d’air, cette clarté au large, le sol plat en vision cartographique, entrecoupé de plantations et de champs, le vert qui s’en allait vers des jaunes et des rouges et vers le brun et le vert; et, au-delà, basse, la montagne. Les hommes, les garçons, les chevaux et les boeufs – seraient-ils ainsi des insectes? Ils s’envolaient suprêmement. Le Garçon, maintenant, vivait; sa joie décochant tous les éclats. Il s’asseyait, tout entier, dans l’intérieur de la douce rumeur de l’avion: ce bon jouet compliqué. Il n’avait même pas remarqué encore que, en réalité, il aurait envie de manger, et déjà la Tante lui proposait des sandwiches. Et l’Oncle lui promettait les multiples choses qu’il allait jouer et voir, et faire et promener, dès qu’ils seraient arrivés. Le Garçon avait tout tout d’un coup, et rien, devant l’esprit. La lumière et le lon-lon-long nuage. Ils arrivaient.
II
Tandis que le matin vacillait à peine. La grande ville commençait seulement à se dessiner, dans un semi-désert, sur le plateau: la magique monotonie, les airs dilués. Le terrain d’atterrissage était à peu de distance de la maison – en bois, sur pilotis, pénétrant presque dans la forêt. Le Garçon voyait, entrevoyait. Il respirait beaucoup. Il voulait pouvoir voir encore plus nettement – ces si nombreuses choses – ce qui prenait sens devant ses yeux. L’habitation était petite, on entrait tout de suite dans la cuisine et dans ce qui n’était pas vraiment une cour, plutôt une brève clairière, avec des arbres qui ne peuvent pas entrer dans la maison. Hautes, les lianes, et de petites orchidées jaunes s’y accrochaient. De cet endroit, pouvaient-ils sortir les Indiens, l’ocelot, le lion, les loups, les chasseurs? Rien que des sons. L’un – ou les autres oiseaux – aux longs chants. C’est ce qui ouvrit son coeur. Ces oiseaux-là buvaient-ils de l’eau-de-vie?
Seigneur! Lorsqu’il découvrit le dindon, au centre de la cour, entre la maison et les arbres de la forêt. Le dindon, impérial, lui tournait le dos afin de recevoir son admiration. Il avait étalé sa queue, et il se gonfla, faisant la roue: le raclement des ailes sur le sol – inattendu, ferme, – s’était manifesté. Il glouglouta, secouant son épais boutonnage de plaques rouges; et sa tête avait des éclairs d’un bleu-clair, rare, de ciel et de fantaisie; et lui, en entier, s’autoentourant, rondindon, tout en sphères et plans, avec des ref lets de métaux verts en bleu-et-noir – le dindon pour toujours. Beau, beau! Il avait un je-ne-sais-quoi de chaleur, de pouvoir, de fleur, un débordement. Sa brutale grandeur tonnante. Sa fatuité multicolore. Il faisait plaisir aux yeux, il méritait des trompettes. Colérique, replet, tout en marchant, il criassa un autre glouglou. Le Garçon rit, de tout son coeur. Mais il ne fit que reregarder. Déjà on l’appelait, pour la promenade.
III
Ils allaient en jeep, ils allaient là où il allait y avoir une ferme du Ipé. Le Garçon se répétait intimement le nom de chaque chose. La poussière, annonciatrice de bonnes nouvelles. Le lilas-des-champs, les lentisques. La voilure-blanche, en peluche. La couleuvre-verte traversant la route. L’arnica: en pâles chandeliers. L’apparition angélique des perroquets. Les pitangas et leur goutte-à-goutte. Le cerf des bois: sa blanche queue. Les fleurs en fête tirant sur le violet de la cannelle-du-thoyou. Ce que l’Oncle disait: qu’il y avait là « un écoeurement de perdrix ». Le troupeau des autruches, audelà, s’enfuyant, en rang, en file indienne. Le couple de cigognes. Ce paysage d’une grande étendue, que le grand soleil inondait. Le palmier-bouriti, au bord du ru, où, pendant un instant, ils s’enlisèrent. Toutes les choses, sorties de l’opacité. Il en émanait une joie incessante, sous une forme rêveuse, absorbée, en de nouveaux accroîts d’amour. Et dans sa mémoire demeuraient, dans la perfection pure, des châteaux déjà montés. Tout, à être dûment découvert en son temps, s’était d’abord fait étrange et inconnu. Il planait dans les airs.
Il songeait au dindon, alors qu’ils rentraient. Juste un peu, pour ne pas gaspiller au moment inopportun la chaleur de ce souvenir, le plus important, qui était rangé pour lui, dans la courette des arbres sauvages. Il n’avait pu l’avoir qu’un instant, léger, grand, langoureux. Y en aurait-il un comme ça, dans chaque maison, et de vive-voix?
Ils avaient faim, le déjeuner une fois servi, ils buvaient de la bière. L’Oncle, la Tante, les ingénieurs. De la salle-à-manger ne pouvait-on entendre sa vaillante raillerie, son glougloussement? Cette grande ville allait devenir la plus haute du monde. Il ouvrait I’éventail, comme un sanglot, explosé, se gonflait… Il goûta à peine les gâteaux, la marmelade du pays, qui se laissait découper en beauté, le parfum en sucre et en chair de fleur. Il sortit, dans la hâte de le revoir.
Il ne le vit pas: d’emblée. La forêt était vraiment laide à force d’être si haute. Et – où? Rien que quelques plumes, des restes, par terre. – « Eh bé, on l’a tué. N’est-ce pas demain l’anniversaire du docteur? » Tout perdait de son éternité et de sa certitude; en un souffle, en un instant, on volait aux gens les plus belles choses. Comment le pouvaient-ils? Pourquoi si soudainement? S’il avait su que ça arriverait comme ça, il aurait au moins regardé davantage le dindon – celui-là. Le dindon – son évanouissement dans l’espace. Rien que pendant le grain minuscule d’une minute, le Garçon recevait en lui un milligramme de mort. Déjà on le cherchait: – « Allons là où va être la ville, le lac… »
IV
On s’enfermait, gravement, dans une fatigue et un renoncement à la curiosité afin d’empêcher que la pensée ne se promène. Il s’en allait. Il aurait honte de parler du dindon. Peut-être ne devait-il pas, n’avait-il pas le droit d’éprouver à cause de lui cette douleur, qui blesse et qui fait souffrir, de peine, de dégoût et de désenchantement. Mais, aussi, qu’on l’ait tué lui semblait obscurément une erreur. Il se sentait de plus en plus las. Il ne supportait presque plus ce que maintenant on lui montrait, dans sa circontristesse: celui-là d’horizon, des hommes au travail de terrassement, les camions de graviers, les vagues arbres, un ruisseau aux eaux grises: la voilure-des-champs devenue seulement une plante délavée, 1’enchantement mort et sans oiseaux, l’air plein de poussière. Sa fatigue, d’émotion contenue, fabriquait une peur secrète: il découvrait la possibilité d’autres adversités, dans le monde machinal, dans l’espace hostile; et qu’entre la joie et la désillusion, sur la balance extrêmement infidèle, presque rien ne tranche. Il baissait sa petite tête.
Là-bas on fabriquait la grande piste de l’aéroport – les rouleaux compresseurs transitaient sur l’étendue ainsi que les auges, les meules, le bélier mastiquant aver ses dents de pilons, les bulldozers. Et comment avait-on rasé la broussaille? – demanda la Tante. On lui montra la tronçonneuse, qui était également là: avec sur le devant une lame épaisse, telle une brouteuse, sorte de hache. Voulait-elle voir? On lui désigna un arbre: simple, d’aspect même pas remarquable, à l’orée de la zone des forêts. Le petit homme du tracteur portait un mégot aux lèvres. La chose se mit en marche. Droite, lentement même. L’arbre, avec peu de branches en haut, fraîche, à la peau claire… et il n’y eut que le brutal: ruh… sur-le-champ il s’écroula, entier, entier. Le mât avait craqué si joliment. Sans même qu’on ait le temps d’en appréhender avec les yeux la certitude – le choc insolite – le pouls du heurt. Le Garçon eut un haut-le-coeur. Il regarda le ciel – perplexe dans son azur. Il tremblait. L’arbre, qui était tellement mort. La sveltesse nette du tronc et la houle sonore immédiate et finale de ses branches – venant de rien. Il rangea tout cela à l’intérieur de la pierre.

V
De retour, il ne voulait plus sortir dans la courette, il y avait là un regret abandonné, un remords incertain. Lui-même ne savait pas très bien. Sa petite idée était encore au stade hiéroglyphique. Mais il s’y rendit, après le dîner. Et – la surprise même pas spectaculaire – il le vit, doux inespéré: le dindon, il y était! Oh, non. Ce n’était pas le même. Plus petit, moins excessif. Il en avait le corail, l’ultraqueue, la brosse, le glougloussement sec, mais il manquait à sa pénible élégance l’aplomb, la globalité, la beauté tendue du premier. Sa venue et présence, en tout cas, le consolaient un peu.
Tout s’adoucissait dans son chagrin. Jusqu’au jour ; qui était : déjà l’arrivée de la nuit. Néanmoins, la montée du petit soir est toujours et aussi douloureuse, partout. Le silence sortait de ses cachettes. Le Garçon, timoré, se rassérénait avec sa propre faiblesse: quelque force, en lui, travaillait pour fixer des racines, grandir son âme.
Mais le dindon s’avançait jusqu’au bord de la forêt. Il y avait entrevu – quoi? On voyait à peine, dans l’obscurcissement. Et c’était la tête décapitée de l’autre, jetée aux ordures. Le Garçon se faisait mal et s’enthousiasmait.
Mais: non. Le dindon était arrivé là non pas par sympathie solidaire et bien sentie, même si certainement par une attirance. Une haine l’y poussait. Il se mettait à donner des coups, féroces, de son bec, sur cette autre tête. Le Garçon ne comprenait pas. La forêt, les arbres les plus noirs, c’était un amas trop important; le monde.
Il faisait nuit noire.
La petite lumière verte, cependant, volait, venant vraiment de la forêt, la première luciole. Oui, la luciole, oui, elle était vraiment jolie! – si petite, dans l’air, un seul instant, haute, distante, s’en allant. Il était, une autre fois encore, la Joie.
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Fonte : ROSA, João Guimarães. Premières histoires : nouvelles. Traduit par Inès Oseki Depré. Paris : A. M. Métailié,1962. p. 1-7.




Bio fornecida pelo palestrante.

THE DEVIL TO PAY IN THE BACKLANDS




Autor: João Guimarães Rosa
Título: The devil to pay in the backlands
Idiomas: eng
Tradutor: James L. Taylor and Harriet de Onís(eng)
Data: 28/12/2004

THE DEVIL TO PAY IN THE BACKLANDS


João Guimarães Rosa

It´s nothing. Those shots you heard were not men fighting, God be praised. It was just me there in the back yard, target-shooting down by the creek, to keep in practice. I do it every day, because I enjoy it; have ever since I was a boy. Afterwards, they came to me about a calf, a stray white one, with the queerest eyes, and a muzzle like a dog. They told me about it but I didn’t want to see it. On account of the deformity it was born with, with lips drawn back, it looked like somebody laughing. Man-face or dog-face: that settled it for them; it was the devil. Foolish folk. They killed it. Don’t know who it belonged to. They came to borrow my gun and I let them have it.
You are smiling, amused-like. Listen, when it is a real gunfight, all the dogs start barking, immediately – then when it’s over you go to see if anybody got killed. You will have to excuse it, sir, but this is the sertão. Some say it’s not – that the real sertão is way out yonder, on the high plains, beyond the Urucúia River. Nonsense. For those of Corinto and Curvelo, then, isn’t right here the sertão? Ah, but there’s more to it than that! The sertão describes itself: it is where the grazing lands have no fences; where you can keep going ten, fifteen leagues without coming upon a single house; where a criminal can safely hide out, beyond the reach of the authorities. The Urucúia rises in the mountains to the west. But today, on its banks, you find everything: huge ranches bordering rich lowlands, the flood plains: farmsthat stretch from woods; thick trees in virgin forests – some are still standing. The surrounding lands are the gerais. These gerais are endless. Anyway, the gentleman knows how it is: each one believes what he likes: hog, pig, or swine, it’s as you opine. The sertão is everywhere.
About the devil? I have nothing to say. Ask the others around here. Like fools, they’re afraid even to mention his name; instead they say the Que-Diga, the What-You-May-Call-Him. Bah! Not me. Over-avoiding a thing is a way of living with it. Take Aristides, who lives in that palm grove there on the right, on the creek called Vereda-da-Vaca-Mansa-de-Santa-Rita. Everybody believes what he says: that there are certain places, three of them, that he can’t go near without hearing a faint crying behind him, and a little voice saying: “I’m coming! I’m coming!” It’s the Whoosis, the What-You-May-Call-Him. And then take Jisé Simplício. Anybody here will swear to you that he keeps a captive demon in his house – a little imp who is obliged to help him in his shady dealings, which is why Simplício is on his way to getting rich. They say this is also the reason Simplício’s horse shivers and shies when Simplício tries to mount. Superstition. Jisé Simplício and Aristides are prospering, imp or no imp. Now listen to this: there are people who insist that the devil himself stopped off at Andrequicé while passing through there recently. It seems that a certain young man, a stranger, showed up and boasted that he could get from there here in only twenty minutes – it takes a full day and a half on horseback – because he would go around the headwaters of the Rio do Chico. * Perhaps, who knows – no offense intended – it could have been you yourself when you passed through there, just joking for the fun of it? Don’t hold it against me – I know you didn’t. I meant no harm. It is just that sometimes a question at the right time clears the air. But, you understand, sir, if there was such a young man, he just wanted to pull somebody’s leg. Because, to circle the headwaters he would have to go deep into this state of ours and then double back, a trip of some three months. Well, then? The whoosis? Nonsense. Imagination. And then this business of politely calling the devil by other names – that’s practically inviting him to appear in person, in the flesh! Me, I have just about lost all my belief in him, thanks to Gog; and that’s the honest truth I’m telling you, though I know he is taken for a fact and the Holy Gospels are full of him. Once I was talking with a young seminarian, very amiable he was, turning the pages and reading en his prayer book. He had on his vestments and bore a wand of chaste-tree in his hand. He said he was going to help the priest drive the Whoosis out of an old woman os Cachoeira-dos-Bois. I don’t believe a word of it. My compadre Quelemém claims that it’s the lower spirits that cause these manifestations, the third-class ones, milling about in the pitch darkness, seeking contact with the living, and that sometimes they will give a man real support. My compadre Quelemém is the one who eases my mind – Quelemém de Góis is his full name. But he lives so far from here – at Jijujã, on the Vereda do Burití Pardo. But tell me, when it comes to being possessed of a devil, or helped by one, you too must have known of cases – men – women? Isn’t that so? As for me, I’ve seen so many that I learned to spot them: Rincha-Mãe, Sangue-d’outro, Muitos-Beiços, Rasga-em-Baixo, Faca-Fria, Fancho-Bode, a certain Treciziano, Azinhavre, Hermógenes – a whole herd of them. If I could only forget so many names… I’m not a horse wrangler. And besides, anyone who fools around with the notion of becoming a jagunço, as I did, is already opening the door to thedevil. Yes? No?
In my early days, I tried my hand at this and that, but as for thinking, I just didn’t. Didn’t have time. I was like a live fish on a griddle – when you’re hard-pressed you waste no time in day-dreams. But now, with time on my hands and no special worries, I can lie in my hammock and speculate. Does the devil exist, or doesn’t he? That’s what I’d like to know. I give up. Look: there is such a thing as a waterfall, isn’t there? Yes, but a waterfall is only a high bank water tumbling over the edge. Take away the water, or level the bank – what becomes of the waterfall? Living is a very dangerous business…
Let me try to explain: when the devil is inside a man, in his guts, the man is either evil or suffers bad luck. But, on his own, a man as such has no devil in him. Not one! Do you agree? Tell me frankly – you’ll be doing me a great favor, and I ask it of you from my heart. This matter, however foolish it may seem, is important to me. I wish it wasn’t. But don’t tell me that a wise and learned person like you, sir, believes in the devil! You don’t? I thank you. Your opinion reassures me. I knew you felt that way – I expected you would – I give you credit for it. Ah! When a man is old he needs to rest easy. I thank you again. All right, then, there is no devil. And no spirits. I never saw any. And if anybody was to see one, it should be me, your humble servant. If I was to tell you… So, the devil rules his black kingdom, in animals, in men, in women. Even in children, I say. For isn’t there a saying: “A child – spawn of the devil?” And in things, in plants, in waters, in the earth, in the wind… “The devil in the street, in the middle of the whirlwind.”
What? Ah, yes. Just an idea of mine, memories of things worse than bad. It’s not that it hurts me to talk about them. It’s better, it relieves me. Look here: in the same ground, and with branches and leaves of the same shape, doesn’t the sweet cassava, which we eat, grow and the bitter cassava, which kills? Now the strange thing is that the sweet cassava can turn poisonous – why, I don’t know. Some say it is from being replanted over in the same soil, from cuttings – it grows more and more bitter and then poisonous. But the other, the bitter cassava, sometimes changes too, and for no reason turns sweet and edible. How do you account for that? And have you ever seen the ugliness of glaring hate in the eyes of a rattlesnake? Or a fat hog, happier every day in its brutishness, that would gladly swallow the whole world if it could, for its filthy satisfaction? And some hawks and crows – just the look of them shows their need to slash and tear with that beak honed sharp by evil desire. There are even breeds of twisted, horrible, rocks, that poison the water in a well, if they lie at the bottom of it. The devil sleeps in them. Did you know that? And the devil – which is the only way you can call a malign spirit – by whose orders and by what right does he goes around doing as he damn well pleases? Mixed up in everything, he is.
What wears him out, little by little, the devil inside folks, is suffering wisely. Also the joy of love – so say my compadre Quelemém. The family. Is that the thing? It is and it isn´t. Everything is and isn´t . The most ferocious criminal, of the worst kind, is often a good husband, a good son, a god father, a good friend of his friends. I´ve known some like that. Only, there is the hereafter – and God too. Many´s the cloud I´ve seen.
But, truly, children do soften one. Listen to this: a certain Aleixo, who lives a league from Passo do Pubo , on the Areia River, used to be one of the most cold-blooded villains you ever heard of. Near his house he had a little pond among the palm trees, sand in it he kept some fierce traíras, immense ones, famous fort heir size. Aleixo used to feed them every day at the same hour, and soon they learned to come out of their hiding places to be fed, just as if they were trained. Well, one day, just for the hell of it. Aleixo killed a little old man who had come around begging. Don´t you doubt it, sir, there are people in this hateful world who kill others just to see the faces they make as they die. You can foresee the rest: comes the bat, comes the rat, comes the cat, comes the trap. This Aleixo was a family man, with young children, whom heloved beyond all reason. Now, listen to this: less than a year after killing the old man, Aleixo´s children took sick. A mild epidemic of measles, it was said, but complications set in; it seemed as though the children would never get well. Finally they got over it. But their eyes became red, terribly inflamed, and nothing seemed to do any good. Then – I don´t know whether all the same time or one by one – they all went blind. Blind, without a glimmer of light. Just think of it – stairsteps, three little boys and a little girl – all blind. Hopelessly blind.
Aleixo did not lose his mind, but he changed; ah, how he changed! Now, he lives on God´s side, sweating to be good and kind every hour of the day and the night. It even seems that he has become happy which he wasn´t before – considers himself lucky, he says, because God chose to take pity on him, changing the direction of his soul in that way. When I heard that it made my blood boil! Because of the children. If Aleixo had to be punished, how were the little ones to blame for his sins?

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Fonte: ROSA, João Guimarães. The devil to pay in the backlands. Translated by James L. Taylor and Harriet de Onís. New York, Knopf, 1963. p. 3-8.





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