Autor: João Cabral de Melo Neto
Título: A palo seco
Idiomas: esp
Tradutor: Carlos Germán Belli(esp)
Data: 28/12/2004
João Cabral de Melo NetoSe llama a palo seco
El cante sin guitarra.
El cante sin; el cante;
El cante sin más nada; se llama a palo seco
el cante sin rebozo:
el cante que se canta
bajo el silencio a plomo. El cante a palo seco
es cante solitário:
es cantar em um yermo
de sol cuan penetrado; es igual que cantar
en un yermo sin sombra
en que la voz dispone
de lo que solo ponga. El cante a palo seco
es cante desarmado:
lámina de la voz
sin el arma Del brazo; que el cante a palo seco
sin aliño o ayuda,
debe abrir el silencio
com su llama desnuda. El cante a palo seco
no es um cante ao acaso:
con todo el ser abierto
exige ser cantado; es un cante que exige
que al mediodía sea,
cuando la sombra huye
y la magia no medra. El silencio es um metal
de epidermis helada,
incapaz de las ondas
inmediatas del água; del silencio la piel
poca cosa se eriza:
el cante a palo seco
diamante precisa. O el silencio es levíssimo,
es delicado líquido
que se cuela en las grietas
que em el cante ha sentido; el silencio paciente
vagaroso se infiltra,
empobreciendo el cante
de dentro, por la espina. O tela es el silencio
que difícil se rasga
y que cuando se rasga
no subsiste rasgada; cuando cessa la voz
se apura em enmendarse:
tela que fuese de agua,
o como tela de aire. A palo seco es cante
de todo más lacônico,
hasta cuando parece
estirarse um kilómetro: enfrentar el silencio
así desnudo y poço
debe forzosamente
dejar corto el aliento. A palo seco es cante
de grito más extremo:
debe subir más alto
que a do llega el silencio; cantar contra caída,
cante en pos de la cima,
a la que hay que subir
cortando, y contra fibra. A palo seco es cante
de caminar más lento:
por ser a contrapelo,
por ser contra los vientos; es cante que camina
con paso paciente:
el viento del silencio
tiene fibra de diente. A palo seco es cante
que muestra más soberbia;
y que nunca se ofrece:
que se toma o se deja; cante que no se adorna,
que tanto igual le da ;
es cante que no canta,
es cante que allí está. A palo seco canta
el pájaro sin bosque,
por ejemplo: posado
sobre un hilo de cobre; a palo seco canta
aun mejor ese hilo
cuando sin cualquier pájaro
exhala su silbido. A palo seco cantan
el yunque y el martillo,
el hierro sobre piedra,
el hierro contra hierro; a palo seco canta
aquel otro herrero:
el pájaro araponga
que inventa el propio hierro. A palo existen
situaciones y objetos:
tal Graciliano Ramos,
diseño de arquitecto, son muros blanquecinos,
son clavos elegantes,
es la ciudad de Córdoba,
y de insecto el alambre. He aquí pocos ejemplos
de ser a palo seco,
de los cuales sacar
la higiene o los consejos: no el aceptar lo seco
cuan resignadamente,
mas emplear lo seco
porque es más contundente.
____ Fonte: Neto, João Cabral de Melo. Poemas. Traducción de Carlos Germán Belli. Lima Peru, centro de estudios brasileños,1973.p. 82-91.
Bio fornecida pelo palestrante.
Autor: João Cabral de Melo Neto
Título: Morte e Vida Severina, Morte e Vita Severina
Idiomas: port, ita
Tradutor: Tilde Barini e Daniela Ferioli(ita)
Data: 28/12/2004
— O meu nome é Severino,
não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina :
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina :
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.
Encontra dois homens carregando um defunto numa rede, aos gritos de: “Ó irmãos das almas! Irmãos das almas! Não fui eu que matei não!”
— A quem estais carregando,
irmãos das almas,
embrulhado nessa rede?
dizei que eu saiba.
— A um defunto de nada,
irmão das almas,
que há muitas horas viaja
à sua morada.
— E sabeis quem era ele,
irmãos das almas,
sabeis como ele se chama
ou se chamava?
— Severino Lavrador,
irmão das almas,
Severino Lavrador,
mas já não lavra.
— E de onde que o estais trazendo,
irmãos das almas,
onde foi que começou
vossa jornada?
— Onde a Caatinga é mais seca,
irmão das almas,
onde uma terra que não dá
nem planta brava.
— E foi morrida essa morte,
irmãos das almas,
essa foi morte morrida
ou foi matada?
— Até que não foi morrida,
irmão das almas,
esta foi morte matada,
numa emboscada.
— E o que guardava a emboscada,
irmãos das almas,
e com que foi que o mataram,
com faca ou bala?
— Este foi morto de bala,
irmão das almas,
mais garantido é de bala,
mais longe vara.
— E quem foi que o emboscou,
irmãos das almas,
quem contra ele soltou
essa ave-bala?
— Ali é difícil dizer,
irmão das almas,
sempre há uma bala voando
desocupada.
— E o que havia ele feito
irmãos das almas,
e o que havia ele feito
contra a tal pássara?
— Ter uns hectares de terra,
irmão das almas,
de pedra e areia lavada
que cultivava.
— Mas que roças que ele tinha,
irmãos das almas,
que podia ele plantar
na pedra avara?
— Nos magros lábios de areia,
irmão das almas,
dos intervalos das pedras,
plantava palha.
— E era grande sua lavoura,
irmãos das almas,
lavoura de muitas covas,
tão cobiçada?
— Tinha somente dez quadras,
irmão das almas,
todas nos ombros da serra,
nenhuma várzea.
— Mas então por que o mataram,
irmãos das almas,
mas então por que o mataram
com espingarda?
— Queria mais espalhar-se,
irmão das almas,
queria voar mais livre
essa ave-bala.
— E agora o que passará,
irmãos das almas,
o que é que acontecerá
contra a espingarda?
— Mais campo tem para soltar,
irmão das almas,
tem mais onde fazer voar
as filhas-bala.
— E onde o levais a enterrar,
irmãos das almas,
com a semente de chumbo
que tem guardada?
— Ao cemitério de Tôrres,
irmão das almas,
que hoje se diz Toritama,
de madrugada.
— E poderei ajudar,
irmãos das almas?
vou passar por Toritama,
é minha estrada.
— Bem que poderá ajudar,
irmão das almas,
é irmão das almas quem ouve
nossa chamada.
— E um de nós pode voltar,
irmão das almas,
pode voltar daqui mesmo
para sua casa.
— Vou eu, que a viagem é longa,
irmãos das almas,
é muito longa a viagem
e a serra é alta.
— Mais sorte tem o defunto,
irmãos das almas,
pois já não fará na volta
a caminhada.
— Toritama não cai longe,
irmão das almas,
seremos no campo santo
de madrugada.
— Partamos enquanto é noite,
irmão das almas,
que é o melhor lençol dos mortos
noite fechada.
(…)
Fonte: Melo Neto, João Cabral. Morte e vida Severina e outros poemas em voz alta. 26ª.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989. p. 70-76.
João Cabral de Melo Neto
— Il mio nome e Severino,
solo questo m’hanno dato.
Sono tanti i Severino
perché e un santo venerato,
e cosí m’hanno chiamato
Severino di Maria;
ma sono tanti i Severino
con madri di nome Maria,
cosí sono diventato di iYaria
del defunto Zaccaria.
Questo ancora dice poco:
nel paese ce n’e tanti,
a causa d’un coronel
di nome Zaccaria
che fu il primo signore
di questa baronia.
Come allora far sapere
chi e che parla a Sua Eccellenza?
Vi diro: son Severino
di Maria di Zaccaria,
là del monte di Costela,
ai confini di Paraíba.
Ma anche questo dice poco :
almeno cinque si chiamavano
di nome Severino
figli di tante Marie
tutte spose di altrettanti,
già defunti, Zaccaria,
paesani della valle
scarna e ossuta in cui vivevo.
Siamo tanti Severino
uguali in tutto nella vita :
con la stessa testa grossa
che a fatica si equilibra,
e la pancia dilatata
sulle gambe tutte ossa,
ed uguali anche nel sangue
cosí poco colorato.
E se siamo Severini
uguali in tutto nella vita,
moriremo d’ugual morte,
stessa morte severina:
che e la morte di chi muore
di vecchiaia sotto ai trenta,
d’imboscata sotto ai venti
e di fame un po’ per giorno
(con sfinimento e malattia
la morte severina
attacca in qualunque età,
anche chi nato non sia).
Siamo tanti Severino
uguali in tutto e nel destino :
di spianare queste pietre
col sudore della fronte,
di tentare di svegliare
questa terra in agonia,
per strappare una radura
alla roccia incenerita.
Ma perché mi conosciate
un po’ meglio Eccellenza
e perché vi sia narrata
la storia della mia vita,
saro solo Severino
che in vostra presenza emigra.
Incontra due uomini che portano un uomo in un’amaca e gridano: « Fratelli in sorte! Fratelli in sorte! Non l’ho ucciso io! »
— Raccontatemi ch’io sappia,
fratelli in sorte,
chi portate avviluppato
nell’amaca?
— Un defunto di niente,
fratello in sorte,
che da molte ore viaggia
verso casa.
— Mi sapete dir chi era,
fratelli in sorte,
sapete come si chiama
o si chiamava?
— Severino Aratore,
fratello in sorte,
Severino Aratore,
ma piú non ara.
— E da dove lo portate,
fratelli in sorte,
da dove e cominciato
il vostro viaggio?
— Dalla Caatinga piú secca,
fratello in sorte,
e una terra che non dà
nemmeno spine.
— E fu morta questa morte,
fratelli in sorte,
guesta fu una morte morta
o fu ammazzata?
— Non fu morta questa morte,
fratello in sorte,
questa fu morte ammazzata
in un’imboscata.
Ma perché l’hanno ammazzato,
fratelli in sorte,
con la lama l’han colpito
o con il piombo?
— Con il piombo l’hanno ucciso,
fratello in sorte,
con la mira e piú sicuro
ec’e piú campo.
— Chi gli ha teso l’imboscata,
fratelli in sorte,
e da dove gli e arrivato
l’uccello piombo?
— E difficile da dire,
fratello in sorte,
sempre c’e del piombo perso
per il cielo.
— Cosa mai aveva fatto,
fratelli in sorte,
cosa mai aveva fatto
contro il fucile?
— Pochi ettari di terra,
fratello in sorte,
di pietra e sabbia possedeva
ecoltivava.
— Ma che campi aveva mai,
fratelli in sorte,
che poteva seminare
nella pietra avara?
— Nelle scarne labbra di sabbia,
fratello in sorte,
degli spazi fra le pietre
piantava paglia.
— Era grande il suo podere,
fratelli in sorte,
tanti erano i filari,
da invidiare?
— Possedeva pochi metri,
fratello in sorte,
sopra il colle arrampicati,
nessuno in piano.
– Ma perché l’hanno amazzato,
fratelli in sorte,
perché allora l’hanno ucciso
col fucile?
— Voleva andare piú lontano,
fratello in sorte,
voleva essere piú libero
l’uccello piombo.
— E ora che succederà,
fratelli in sorte,
ora che succederà
contro il fucile?
— Altro spazio ancora avrà,
fratello in sorte,
resta ancora molto spazio
alle pallottole.
— Ora dove lo portate,
fratelli in sorte,
ora che ha seme di piombo
chiuso in cuore?
— Al cimitero di Tôrres,
fratello in sorte,
oggi detto Toritama,
di mattina.
— Mi potrei unire a voi,
fratelli in sorte,
passero per Toritama,
e la mia strada.
Ci potrai anche aiutare,
fratello in sorte,
benedetto chi raccoglie
il nostro appello.
— Uno di noi puo ritornare,
fratello in sorte,
puo tornare già da ora
a casa sua.
— Vado io che il viaggio e lungo,
fratelli in sorte,
il camino e molto lungo,
ela serra e alta.
— Fortunato il defunto,
fratelli in sorte,
che non deve piú rifare
questa strada.
— Toritama non e lontana,
fratello in sorte,
arriveremo al cimitero
di mattina.
— Su, partiamo finch’e notte,
fratello in sorte,
buon sudario e per i morti
notte oscura.
(…)
Fonte: Neto, João Cabral de Melo. Morte e Vita Severina. A cura di Tilde Barini e Daniela Ferioli. Torino: Giulio Einaudi Editore, 1973. p. 104-17.
Bio fornecida pelo palestrante.
Autor: João Cabral de Melo Neto
Título: Un can sin plumas
Idiomas: esp
Tradutor: Carlos Germán Belli(esp)
Data: 28/12/2004
João Cabral de Melo Neto
I
(Paisaje del Capibaribe)
La ciudad es cruzada por el río
como una calle
es cruzada por un cachorro;
una fruta
por una espada.
El río ya recordaba
la lengua mansa de um can,
ya el vientre triste de um can,
ya el otro río
de acuoso paño sucio
de los ojos de un can.
Aquel río
era como un can sin plumas.
Nada sabía de la lluvia azul,
de la fuente color de rosa,
del agua del vaso de agua,
del agua de cántaro,
de los peces de agua,
de la brisa en la agua.
Sabía de los cangrejos
de lodo y herrumbre.
Sabía del lodo
como de una mucosa.
Debía saber de los pulpos.
Sabía seguramente
de la mujer febril que habita en las ostras.
Aquel río
jamás se abre a los peces,
al brillo,
a la inquietud de cuchillo
que hay em los peces.
Jamás se abre en peces.
Abrese en flores
pobres y negras
como negros.
Abrese em una flora
súcia y más mendiga
como son los mendigos negros.
Abrese en mangles
de hojas duras y crespas
como un negro.
Liso como el vientre
de una perra fecunda,
el río crece
sin estallar nunca.
Tiene el río,
un parto fluido e invertebrado
como de una perra.
Y jamás lo vi hervir
(como hierve
el pan que fermenta).
En silencio,
el río carga su fecundidad pobre,
grávido de tierra negra.
En silencio se da:
en capas de tierra negra,
en botines o guantes de tierra negra
para el pie o la mano
que se zambulle.
Como a veces
pasa con los canes,
el río parecía paralizarse.
Sus aguas fluían entonces
más densas y tíbias;
fluían con las ondas
densas y tíbias
de una culebra.
Tenia algo, entonces,
de la inercia de un loco.
Algo de la inercia
del hospital, la cárcel, los asilos,
de la vida súcia y sofocada
(de ropa sucia y sofocada)
por donde se vino arrastrando.
Algo de la inercia
de los palacios cariados,
comidos
de moho y muérdago.
Algo de la inercia
de los árboles obesos
salpicando los mil azúcares
de los comedores pernambucanos,
por donde se vino arrastrando.
(Es en ellos,
pero de espaldas al río,
que “las grandes familias espirituales” de la ciudad
incuban los huevos gordos
de su prosa.
En la paz redonda de las cocinas,
helas allí revolviendo viciosamente
sus calderas
de pereza viscosa).
¿Sería el agua de aquel río
fruta de algún árbol?
¿Por qué parecía aquella
un agua madura?
¿Por qué sobre ella, siempre,
como a punto de posarse las moscas?
¿Aquél río
saltó alegre en alguna parte?
¿Fue canción o fuente
en alguna parte?
¿Por qué entonces sus ojos
venían pintados de azul
en los mapas?II
(Paisaje del Capibaribe)
Entre el paisaje
el río fluía
como una espada de líquido espeso.
Como un can
humilde y espeso.
Entre el paisaje
(fluía)
de hombres plantados en el lodo,
de casas de lodo
plantadas en islas
coaguladas en el lodo;
paisaje de anfibios
de lodo y lodo.
Como el río
aquellos hombres
son como canes sin plumas
(un can sin plumas
es más
que un can saqueado;
es más
que un can asesinado.
Un can sin plumas
es cuando un árbol sin voz.
Es cuando las raíces
de un pájaro en le aire.
Es cuando a alguna cosa
le roe tan hondo
hasta lo que no tiene).
El río sabía
de aquellos hombres sin plumas.
Sabía de sus barbas expuestas,
de su doloroso cabello
de camarón y estopa.
Sabía también
de los grandes galpones al borde de los muelles
(donde todo
es uma inmensa puerta
sin puertas)
abiertas de par en par
a los horizontes que huelen a gasolina.
Y sabía
de la magra ciudad de corcho,
donde hombres huesudos,
donde puentes, solares huesudos,
(van todos
vestidos de dril)
secan
hasta su más honda caliza.
Pero conocía mejor
a los hombres sin plumas.
Estos
secan
aun más allá
de su caliza extrema;
aun más allá
de su paja;
más allá
de la paja de su sombrero;
más allá
hasta
de la camisa que no tienen;
mucho más allá del mismo
nombre escrito en la hoja
del papel más seco.
Porque es en el agua del río
que ellos se pierden
(lentamente
y sin diente).
Allí se pierden
(como uma aguja no se pierde).
Allí se pierden
(como un reloj no se rompe).
Allí se pierden
como um espejo no se quiebra.
Allí se pierden
como se pierde el agua derramada:
sin el diente seco
con que de repente
en um hombre se rompe
el hilo de hombre.
En el agua del río,
lentamente,
se van perdiendo
en lodo; en un lodo
que poco a poco
ya no puede hablar:
que poco a poco
gana los gestos difuntos
del lodo;
la sangre de goma,
el ojo paralítico
del lodo.
En el paisage del río
difícil es saber
donde comienza el río;
donde el lodo
comienza del río;
donde la tierra
comienza del lodo;
donde el hombre,
donde la piel
comienza del lodo;
donde comienza el hombre
en aquel hombre.
Difícil es saber
si aquel hombre
ya no está
más allá del hombre;
más allá del hombre
al menos capaz de roer
los huesos del oficio;
capaz de sangrar
en la plaza;
capaz de gritar
si la molienda le mastica el brazo;
capaz
de tener la vida masticada
y apenas no
disuelta
(en aquella suave agua
que ablanda sus huesos
como ablandó las piedras).
III
(Fábula del Capibaribe)
La ciudad es fecundada
por aquella espada
que se derrama,
por aquella
húmeda encía de espada.
En el extremo del río
el mar se extendía
como camisa o sábama
sobre sus esqueletos
de arena lavada.
(Como el río era un cachorro,
el mar podía ser una bandera
azul y blanca
desdoblada
en el extremo del curso
– o del mástel – del río
Una bandera
que tuviese dientes
que el mar está siempre
con sus dientes y su jábon
royendo sus playas.
Una bandera
que tuviesse dientes:
como um poeta puro
puliendo esqueletos,
como un roedor puro,
un policía puro
elaborando esqueletos,
el mar
con afán,
está siempre otra vez lavando
su puro esqueleto de arena.
El mar y su incienso,
el mar y sus ácidos,
el mar y la boca de sus ácidos,
el mar y su estómago
que come y se come
el mar y su carne
vidriata, de estatua,
su silencio, alcanzado
a costa de siempre decir
la misma cosa,
el mar y su tan puro
professor de geometria).
El río teme aquel mar
como un cachorro
teme una puerta entretanto abierta
como un mendigo,
la iglesia aparentemente abierta.
Primero,
el mar devuelve el río.
Cierra el mar al río
sus blancas sábanas.
El mar se cierra
a todo lo que en el río
son flores de tierra,
imagen de can o mendigo.
Después,
el mar invade el río.
Quiere
el mar
destruir en el río
sus flores de tierra hinchada,
todo lo que en esa tierra
puede crecer y estallar,
como en una isla,
en una fruta.
Pero antes de ir al mar
el río se detiene
en mangles de agua inmóvil.
Júntase el río
a otros rios
em una laguna, en pantanos
donde, fria, la vida hierve.
Júntase el río
a otros rios.
Juntos
todos los rios
preparan su lucha
de agua inmóvil,
su lucha
fruta inmóvil.
(Como el río era un cachorro
como el mar era una bandera,
aquellos mangles
son una enorme fruta.
La misma máquina
paciente e útil
de una fruta;
la misma fuerza
invencible y anônima
de una fruta
– trabajando aún su azúcar
después de cortada –
Como gota a gota
hasta el azúcar
gota a gota
hasta las coronas de tierra;
como gota a gota
hasta una nueva planta
gota a gota
hasta las islas súbitas
aflorando alegres).IV
(Discurso de Capibaribe)
Aquel río
está en la memoria
como un can vivo
dentro de una sala.
Como un can vivo
dentro de un bolsillo.
Como un can vivo
debajo de las sábanas
debajo de la camisa,
de la píel.
Un can, porque vive,
es agudo.
Lo que vive
no entorpece.
Lo que vive hiere.
El hombre,
porque vive,
choca con lo que vive.
Vivir
es ir entre lo que vive.
Lo que vive
incomoda de vida
el silencio, el sueño, el cuerpo
que soñó cortarse
ropas de nubes.
Lo que vive choca,
tiene dientes, aristas, es espeso.
Lo que vive es espeso
como um can, un hombre,
como aquel río.
Como todo lo real
es espeso.
Aquel río
es espeso y real.
Como una manzana
es espesa.
Como un cachorro
es más espeso que una manzana.
Como es más espesa
la sangre del cachorro
que el propio cachorro.
Como es más espeso
un hombre
que la sangre de un cachorro.
Como es mucho más espesa
la sangre de un hombre
que el sueño de un hombre.
Espeso
como una manzana es espesa.
Como una manzana
es mucho más espesa
si un hombre la come
que si un hombre la ve.
Como es aún más espesa
si el hambre la come.
Como es aún mucho más espesa
si no la puede comer
el hambre que la ve.
Aquel río
es espeso
como lo real más espeso.
Espeso
por su paisaje espeso,
donde el hambre
extiende sus batallones de secretas
e íntimas hormigas.
Y espeso
por su fábula espesa;
por el fluir
de sus jaleas de tierra;
al parir
sus islas negras de tierra.
Porque es mucho más espesa
la vida que se desdobla
en más vida,
como una fruta
es más espesa
que su flor;
como el árbol
es más espeso
que su simiente;
como la flor
es más espesa
que su árbol,
etc. etc.
Espeso,
porque es más espesa
la vida que se lucha
cada día,
el día que se alcanza
cada día
(como un ave
que va cada segundo
conquistando su vuelo).
____
Fonte: Neto, João Cabral de Melo. Poemas. Traducción de Carlos Germán Belli. Lima Peru, centro de estudios brasileños,1973.p. 26-53.
Bio fornecida pelo palestrante.