Autor: Cecília Meireles
Título: Canção,Canción e Sugestão, Sugestión
Idiomas: port, esp
Tradutor: Blanca Luz Pulido(esp)
Data: 27/12/2004
Cecília Meireles
Puse en mi sueño un navío
y al navío sobre el mar;
después, abrí el mar con las manos,
y mi sueño naufragó.
Mis manos están aún mojadas
del azul de las abiertas olas,
y el color gotea de mis dedos
pintando la arena desierta.
El viento llegó de muy lejos,
la noche se dobla de frío;
debajo del agua ya muere
mi sueño, dentro de un navío.
Lloraré cuando sea preciso,
para que el mar se levante,
y mi navío llegue al fondo
y mi sueño ya no exista.
Después, todo será perfecto:
playa en calma, aguas quietas,
mis ojos secos como piedras
y mis dos manos quebradas._____________________________
Fonte: (www.fuentes.csh.udg.mx)/ Traducción de Blanca Luz Pulido
Sugestión
Cecília Meireles
Sucede así – cualquier cosa
serena, libre, fiel.
Flor que se cumple, sin pregunta.
Ola que se violenta, a causa de ejercicio indiferente.
Luna que envuelve igual a los novios abrazados y a los soldados ya fríos.
También como este aire de la noche: susurrante de silencios, lleno de nacimientos y pétalos.
Igual a la piedra detenida, conservando su demorado destino. Y la nube leve y bella, viviendo de nunca llegar a ser.
La cigarra quema en su música, al camello que mastica su larga soledad,
Al pájaro que busca el fin del mundo, al buey que va con inocencia hacia el monte.
Sucede así, cualquier cosa serena, libre, fiel.
No como al resto de los hombres.Sede assim – qualquer coisa
serena, isenta, fiel.
Flor que se cumpre, sem pergunta.
Onda que se esforça, por exercício desinteressado.
Lua que envolve igualmente os noivos abraçados e os soldados já frios.
Também como esse ar da noite: sussurrante de silêncios, cheio de nascimentos e pétalas.
Igual à pedra detida, sustentado seu demorado destino. E a nuvem, leve e bela, vivendo de nunca chegar a ser.
A cigarra queimando-se em música, ao camelo que mastiga sua solidão.
Ao pássaro que procura o fim do mundo, ao boi que vai com inocência para a monte.
Sede assim, qualquer coisa serena, isenta, fiel.
Näo como o resto dos homens.________________________
Fonte: http://autordelasemana.uchile.cl/poesiabrasil/antologia.html.
Canção
No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas…
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rostoQuando as ondas te carregaram
meus olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.__________________________
Fonte: http://www.geocities.com/Paris/Rue/1020/.
Bio fornecida pelo palestrante.
Autor: Cecília Meireles
Título: POEMAS
Idiomas: port,esp
Tradutor:
Data: 27/12/2004
MOTIVO
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
– mais nada.
SERENATA
Repara na canção tardia
que nitidamente se eleva,
num arrulho de fonte fria.
O orvalho treme sobre a treva
e o sonho da noite procura
a voz que o vento abraça e leva.
Repara na canção tardia
que oferece a um mundo desfeito
sua flor de melancolia.
É tão triste, mas tão perfeito,
o movimento em que murmura,
como o do coração no peito.
Repara na canção tardia
que por sobre o teu nome, apenas,
desenha a sua melodia.
E nessas letras tão pequenas
o universo inteiro perdura.
E o tempo suspira na altura
por eternidades serenas.
METAMORFOSE
Súbito pássaro
dentro dos muros
caído,
pálido barco
na onda serena
chegado.
Noite sem braços!
Cálido sangue
corrido.
E imensamente
o navegante
mudado.
Seus olhos densos
apenas sabem
ter sido.
Seu lábio leva
um outro nome
mandado.
Súbito pássaro
por altas nuvens
bebido.
Pálido barco
nas flores quietas
quebrado.
Nunca jamais
e para sempre
perdido
o eco do corpo
no próprio vento
pregado._______________
Fonte: MEIRELES, Cecília. Poemas. [Poesias. Espanhol e Português. Poemas/ Cecília Meireles; prólogo y selección de José de Souza Rodrígues; traducción de Ricardo Silva-Santisteban.] Lima: Centro de Estudios Brasileños, 1983. p. 22, 26, 46, 48.MOTIVO
Canto porque el instante existe
y ya mi vida está completa.
No soy alegre ni soy triste:
soy poeta.
Hermano de las cosas fugitivas
no siento gozo ni tormento.
Atravieso noches y días
en el viento.
Si desmorono o si edifico,
permanezco o me desvanezco,
-no sé, no sé. No sé si me quedo
o si paso.
Sé que canto. Y la canción lo es todo.
Tiene sangre eterna el ala ritmada.
Y un día sé que estaré mudo:
-nada más.
Serenata
Repara en la canción tardía
que nítidamente se eleva
con un murmullo de fuente fría.
El rocío tiembla en lo oscuro
y el viento de la noche procura
la voz que el viento abraza y lleva.
Repara en la canción tardía
que ofrece a un mundo derrotado
su flor de melancolía.
Es tan triste mas tan perfecto
el movimiento en que murmura
como un corazón en el pecho.
Repara en la canción tardía
que por sobre tu nombre, apenas,
dibuja su melodía.
Y en esas letras tan pequeñas
entero el universo perdura.
Y el tiempo suspira en la altura
por eternidades serenas.
METAMORFOSIS
Pájaro súbito
entre los muros
caído,
pálido barco
venido en la onda
serena.
¡Noche sin brazos!
Cálida sangre
corrida.
E inmensamente
el navegante
mudado.
Sus ojos densos
apenas saben
que fueron.
Su labio lleva
distinto nombre
enviado.
Pájaro súbito
por altas nubes
bebido.
Pálido barco
en flores quietas
quebrado.
Ya para siempre
y para siempre perdido
eco del cuerpo
en el mismo aire
clavado.__________________
Fonte: MEIRELES, Cecília. Poemas. [Poesias. Espanhol e Português. Poemas/ Cecília Meireles; prólogo y selección de José de Souza Rodrígues; traducción de Ricardo Silva-Santisteban.] Lima: Centro de Estudios Brasileños, 1983. p. 23, 27, 47, 49.
Bio fornecida pelo palestrante.
Autor: Cecília Meireles
Título: RETRATO EM LUAR, RITRATTO AL CHIAR DI LUNA
Idiomas: port, ita
Tradutor: Anton Angelo Chiocchio(ita)
Data: 28/12/2004
Cecília Meireles
Meus olhos ficam neste parque,
minhas mãos no musgo dos muros,
para o que um dia vier buscar-me,
entre pensamentos futuros.Não quero pronunciar teu nome,
que a voz é o apelido do vento,
e os graus da esfera me consomem
toda, no mais simples momento.São mais duráveis a hera, as malvas,
que a minha face deste instante.
Mas posso deixá-la em palavras,
gravada num tempo constante.Nunca tive os olhos tão claros
e o sorriso em tanta loucura.
Sinto-me toda igual às árvores:
solitária, perfeita e pura.Aqui estão meus olhos nas flores,
meus braços ao longo dos ramos:
e, no vago rumor das fontes,
uma voz de amor que sonhamos.Cecília Meireles
Lascio i miei occhi in questo parco
le mani nel muschio dei muri,
per quegli che un giorno a cercarmi
verrà, tra pensieri futuri.Non voglio chiamarti per nome:
parrebbe il sibilo del vento;
brucio tra i gradi della sfera
tutta, nel semplice momento.Durano piá l’edera, l’erba
che il viso mio di quest’istante.
Ma posso fissarlo in parole,
scolpirlo in un tempo costante.Mai gli occhi ho avuti tanto chiari
e folle il riso, come l’aria…
mi sento tutta uguale agli alberi:
perfetta, pura e solitaria.Qui l’occhio mio vede dal fíore,
qui il braccio mio teso é nel ramo,
qui voci d’acque vaghe echeggiano
quella d’amore che sognamo._____________________________________
Fonte: http://www.secrel.com.br/jpoesia/aangel03.html. Trad: Anton Angelo Chiocchio.
Bio fornecida pelo palestrante.